Movimento ameaça boicotar cerimônia de posse de Nedson
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de dezembro de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
O prefeito eleito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), inicia o mandato com o pé esquerdo por causa do mal-estar criado em torno da nomeação do ex-deputado federal Paulo Bernardo para a Secretaria da Fazenda. Integrantes do Movimento pela Moralização na Administração Pública vão boicotar a cerimônia de posse na segunda, às 18 horas, na Câmara de Vereadores.
A justificativa do protesto é a acusação de envolvimento de Bernardo com o esquema de corrupção do prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido). Ele figura na lista do ex-tesoureiro de Belinati, Carlos Zavierucha. Valter Orsi, integrante do movimento, lembrou que Bernardo colaborou na campanha eleitoral de Belinati em 96 e depois fez uma dobradinha com o filho dele (Antônio Carlos Belinati) para a Câmara de Deputados, em 98. A escolha pode comprometer a credibilidade e o respeito da equipe, afirmou. Esperávamos que Nedson consultasse a sociedade para compor o secretariado e se mostrasse sensível às objeções.
Paulo Lima, do Sindicato dos Bancários, disse que o boicote à posse é uma decisão de poucas pessoas. Como integrante do movimento, ele disse que não foi convidado para qualquer discussão a respeito e que estará na cerimônia. Acho esse protesto uma imaturidade. Tenho toda confiança no Paulo Bernardo e acredito que será um homem-chave para o saneamento das finanças de Londrina.
O advogado Carlos Scalassara (também do movimento e futuro procurador jurídico do município) concorda com Lima. Ambos negam o racha do movimento. O presidente estadual do PPS, Rubens Bueno, gostou da nomeação de Bernardo. Ele garantiu que o partido continuará apoiando a gestão de Nedson, que tem como vice Luiz Carlos Bracarense (PPS).
Nedson disse estar preocupado com o pré-julgamento da equipe, mas adiantou que não mudará seus planos. Ele nega falta de transparência na escolha do secretariado e disse estar surpreso com as dúvidas do movimento. Já pedi a eles que elaborem o pré-projeto da ouvidoria e acho justo que continuem fiscalizando o poder público. Não estou magoado com a ameaça de boicote, mesmo porque muitas pessoas estarão viajando e isso não deve ser confundido com protesto. Bernardo preferiu não comentar o assunto.


