Movimento acredita que Paraná servirá de exemplo para Brasil
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de junho de 2003
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
O presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiros, Nélio Botelho, que apóia a encampação do pedágio, acredita que ''o Paraná servirá de exemplo para outros estados para mudar o modelo de fundos de conservação de rodovias''.
No pedágio da concessionária Ecovia, na BR-277, sentido Curitiba-Paranaguá, que tem uma das tarifas mais caras (R$ 6,10 para veículos pequenos e R$ 5,20 por eixo de caminhão), cerca de 50 integrantes do MST chegaram pouco antes do meio-dia. Segundo o gerente de Operações da Ecovia, Mauro Szwarcgun, os manifestantes, em princípio, quiseram quebrar as cancelas, mas a administração do pedágio chegou a um acordo e liberou duas delas uma em cada sentido da rodovia.
Prevendo que o protesto iniciado na terça-feira se estenderia para outras praças de pedágio ontem, a Ecovia entrou com ação na Justiça para se resguardar de possíveis danos ou transtornos. A decisão judicial favorável à concessionária previa multa de R$ 100 mil contra os manifestantes do movimento ''Emcampação Já''. Na prática, o instrumento jurídico não teve efeito nenhum, pois os manifestantes acabaram ocuparando a praça.
A concessionária conseguiu, ainda, um mandado de reintegração de posse, que também perdeu efeito. Os manifestantes desocuparam o local por volta das 16 horas e, em seguida, a Ecovia voltou a cobrar as tarifas. A assessoria de imprensa da concessionária informou que a empresa ainda iria contabilizar o prejuízo financeiro. Passam pela praça, nos dois sentidos, entre 10 mil e 12 mil veículos. Desse total, entre 2 mil e 3 mil caminhões.
Para o presidente da Ecovia, Marcelino Seras, o anúncio de intervenção no pedágio feito pelo governador Roberto Requião (PMDB) teve um ''tom emotivo'' e, por essa razão, não deveria se concretizar. ''Continuamos dispostos a negociar com o governo. Manifestações e declarações como essas não ajudam numa solução pacífica'', declarou.


