O início de uma costura política que pode resultar na composição entre o PMDB, PSDB e PPB - um ano e três meses antes das eleições do ano que vem - é a mais nova preocupação dos aliados do governador Jaime Lerner. O presidente estadual do PTB e secretário da Indústria e do Comércio, Nelson Justus, propôs ontem a formação de uma aliança em defesa da reeleição de Lerner.
O anúncio de Justus é uma reação ao quebra-gelo promovido pelo presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, que nas últimas terça e quarta-feira manteve contatos com as bancadas federais do PMDB, PSDB e PPB em Brasília. Justus tem certeza que peemedebistas e tucanos vão se aliar. ‘‘São claros os sinais de união e, se ficarmos parados, seremos engolidos’’, avalia.
O secretário afirma ainda que o PDT, partido de Lerner, já proibiu através de resolução da executiva nacional qualquer acerto com o PSDB nos estados. ‘‘Não poderemos mais contar com a participação dos tucanos, como na aliança de 94’’, diz Justus, que acusa Álvaro Dias de estar em plena campanha no interior do Estado. ‘‘Nenhum executivo de uma estatal manobra trator para as câmeras de televisão sem que por trás disso não exista uma candidatura’’, provoca.
O presidente do PTB defende um compromisso escrito ‘‘para sustentar a reeleição do governador’’. ‘‘O PTB tem sido o braço forte do governo e hoje é a sua principal sustentação no bloco de aliados’’, justifica Nelson Justus.
O ex-governador Álvaro Dias tenta desconversar e ganhar mais tempo frente aos adversários. ‘‘Foi apenas uma conversa preliminar. Não nego, no entanto, que há uma disposição muito grande de o PMDB e PPB aliarem-se a nós, mas isso é apenas o início de uma processo de negociação’’, observa.
Na avaliação de Álvaro, ‘‘numa eleição tem que se levar em conta um conjunto de fatores’’, dentre os quais o da afinidade política. ‘‘Muitos tucanos de hoje integraram o antigo MDB e o PPB é resultado da fusão entre PP e PPR’’, avalia Álvaro. ‘‘Você está diante do imponderável e tudo é possível’’, completa o ex-governador, que trabalha por uma candidatura ou ao Senado, sua preferência, ou ao governo.
Ao contrário do senador Roberto Requião (PMDB), que se coloca como pré-candidato ao governo em 98 e ironiza a tese de que a oposição tem que ouvir as pesquisas para escolher o candidato, Álvaro Dias voltou a defender a consulta junto às bases. ‘‘É impossível questionar a vontade dos eleitores e não poderemos passar por cima disso’’, rebate. (L.D)

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