Motta volta a complicar o governo
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sexta-feira, 04 de abril de 1997
Agência Estado De Brasília 
A prioridade ontem no governo era contornar o estrago feito pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta, após o fracasso da articulação governista para votar a reforma administrativa na quarta-feira. Motta reagiu à derrota com um telefonema malcriado ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Reconhecido pela fidalguia no trato, Temer ainda tentou argumentar que as críticas de incompetência dos líderes não eram justas, mas diante da gritaria do interlocutor, acabou colocando o telefone no gancho. Estamos nos movimentando para contornar a crise, mas da semana que vem a reforma não passa, resumiu um assessor palaciano.
O presidente Fernando Henrique Cardoso vai convocar os governadores e os dirigentes dos partidos aliados a participar do esforço dos governistas para aprovar o teto salarial de R$ 10,8 mil, previsto no relatório do deputado Moreira Franco (PMDB-RJ). Os líderes fizeram um acerto que prevê um segundo teto, de R$ 21,6 mil, criticado pelo Planalto.
A reunião do conselho político do governo para retomar as articulações da reforma administrativa estava marcada para amanhã à noite, mas o clima de tensão alterou os planos do governo. É mais prudente deixar isto para segunda-feira, argumentou um líder governista. O ministro Sérgio Motta, a pedido dos líderes, não deve participar do encontro. Está todo mundo trabalhando para baixar a bola desse episódio, mas a crise é grave, admite o parlamentar.
A idéia de se repetir o esforço de mobilização empreeendido para aprovar o projeto da reeleição foi proposto pelo presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL). Além de se ver livre da reforma administrativa na semana que vem, votando até os destaques, o governo deverá definir um calendário das reformas que ainda estão para ser votadas. Sugerimos que se vote todas as emendas constitucionais até julho, para que o governo não fique eternamente dependendo do quórum de três quintos do Congresso, contou Vilela.
Fernando Henrique vai baixar uma ordem para que, até lá, nenhum aliado fale em Congresso Revisor. Isto só serve para enfraquecer as reformas, justificou o dirigente tucano. Apesar das dificuldades, o governo não quer nem ouvir falar da proposta do segundo teto, de R$ 21,6 mil, produzido pela acumulação do salário com uma aposentadoria. O presidente aceita uma alteração ligeira no relatório, desde que seja uma coisa moral, resume o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto (AM).


