Motta nega que irá presidir o PSDB
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terça-feira, 13 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaSegundo semestreMinistro se encontra com o governador Tasso Jereissatti: Só vamos mexer com campanha a partir de julhoCinco quilos mais gordo, bronzeado e de bom humor, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, voltou ontem ao trabalho em Brasília afirmando que pretende permanecer ministro até o meio do ano. Motta disse que não tem interesse na presidência do PSDB e também não abre mão de apoiar a reeleição do governador de São Paulo, Mário Covas. Quanto à campanha presidencial, o ministro desconversou. Só vamos mexer com a campanha a partir de julho, afirmou.
Motta voltou na tarde de ontem a despachar no edifício-sede do Ministério depois de 46 dias de tratamento de saúde em São Paulo. A vida mansa das últimas semanas, segundo ele, foi a responsável pelo seu aumento de peso. Para emagrecer, fez uma promessa: Vou fechar a boca, garantiu.
O ministro negou com veemência que seja candidato a presidente do PSDB, classificando essa informação como pura especulação. Hoje, tenho liderança no partido e presto mais serviços estando fora, argumentou. Motta passou a tarde e o início da noite de domingo no Palácio do Alvorada com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Embora vocês não acreditem, tivemos um longo despacho administrativo, afirmou. Motta garantiu que também não é o candidato do presidente ao comando do PSDB. Isso não existe, disse. A convenção nacional do partido que irá eleger o novo presidente deverá ocorrer em maio.
Eu não serei de forma nenhuma presidente do partido, afirmou. Para Motta, também existem dúvidas de ordem formal e legal para sua possível indicação para a presidência do partido. Segundo ele, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá de decidir se é possível ou não um ministro ou um governador assumir o cargo. Antes de iniciar uma reunião com a direção de todo o ministério, Motta recebeu ontem para uma conversa o governador do Ceará, Tasso Jereissatti, outro cotado para a presidência do PSDB.
Segundo o ministro, julho será um mês decisivo para ele e para o governo. É naquele mês que ele pretende encerrar os três projetos mais importantes de sua gestão no sentido de reformular o setor de comunicações no País. Trata-se da privatização do Sistema Telebrás, do projeto do novo Código Brasileiro de Radiodifusão e da lei de Serviços Postais. Cumprida esta meta, o Ministério das Comunicações estaria pronto para ser extinto e Motta livre para ocupar outra função. É só em julho que, segundo Motta, deverá ser deflagrada a campanha presidencial. E vai ser ainda a meia trava, porque tem a Copa do Mundo, ressaltou.
Até lá, disse, o governo vai governar. Eu pretendo até julho terminar a privatização do Sistema Telebrás e outros ministros têm tarefas, disse Motta. Não tenho nenhuma providência de ordem eleitoral e tem ainda muito tempo, afirmou. Como costuma dizer desde 1997, o problema é dos outros partidos, adversários do governo. Deixa eles se entenderem, com monogamia ou com poligamia, destilou, referindo-se à entrevista dada na semana passada pelo candidato do PPS à presidência, Ciro Gomes. O ex-ministro da Fazenda afirmou a uma revista que é contrário à monogamia.
Motta insistiu também no apoio à reeleição do governador Mário Covas. Nosso apoio é integral, não tem dúvida, ao Mário Covas como candidato a governador, afirmou. Nada alterará esta posição. De acordo com o ministro, Covas é apoiado pelo grupo do qual faz parte em São Paulo. Tal grupo tem na origem o presidente Fernando Henrique, o ex-governador Franco Montoro e o próprio Covas e tem como base de formação ser uma alternativa ao PMDB.
Ao sair da reunião com Motta, o governador do Ceará, Tasso Jereissatti, disse não acreditar que o ministro será o coordenador da campanha presidencial. Até completar todo o trabalho no Ministério das Comunicações, ele é imprescindível, argumentou o governador, que considera a discussão prematura. Jereissatti também manifestou apoio à reeleição de Mário Covas ao governo paulista. Esta candidatura é fundamental, afirmou.


