SÃO PAULO - O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, disse ontem que não se pronunciará mais sobre as denúncias de seu envolvimento com a compra de votos pró-reeleição. Segundo ele, sua posição ‘‘está absolutamente expressa’’ nas duas notas oficiais divulgadas e na interpelação judicial aos deputados que o citaram nas gravações. Sobre a sua viagem a Portugal - prevista para quinta-feira - Motta disse que estava programada há três meses e servirá para assinar o contrato da Aliança Atlântica, o embrião de uma holding telefônica internacional com participação de operadoras de outros países. Mas ficou irritado quando uma repórter perguntou se a viagem significa que está fugindo das denúncias. ‘‘Eu não admito, quero respeito na sua pergunta’’, exigiu. ‘‘A próxima eu tomo providências formais contra voc꒒, ameaçou o ministro.
Motta participou ontem da abertura do Fórum Abinee Tec, em São Paulo. Em seu discurso, defendeu as reformas e elogiou o Congresso e o governo Fernando Henrique Cardoso. ‘‘É um governo que instaurou a ética moral na gestão pública brasileira’’, afirmou. A presença do ministro, que não estava confirmada, surpreendeu os organizadores do fórum, realizado pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica no Palácio das Convenções do Anhembi.
Motta discursou por mais de 40 minutos e afirmou que o Congresso ‘‘expressa com legitimidade a sociedade brasileira’’. Ao defender a necessidade das reformas, declarou: ‘‘Vamos fazer a reforma gradual, nós não queremos crítica, queremos participação, pois o povo quer reformas.’ Depois, corrigiu-se: ‘‘Vamos conviver com as críticas e trabalhar no plano das idéias.’

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