Motta e Alcolumbre falam em atuar 'com firmeza' contra tarifaço
Presidentes da Câmara e do Senado se manifestam 24 horas depois de Trump ameaçar o Brasil com tarifas de 50%
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de julho de 2025
Presidentes da Câmara e do Senado se manifestam 24 horas depois de Trump ameaçar o Brasil com tarifas de 50%
Marianna Holanda - Folhapress 

Brasília - Os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), respectivamente, pediram diálogo diplomático e comercial, a respeito do aumento da sobretaxa para 50% sobre produtos importados do Brasil determinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os dois divulgaram nota, na tarde desta quinta-feira (10), após um dia de silêncio sobre o tema que dominou a agenda do Congresso e do Executivo.
"A decisão dos Estados Unidos de impor novas taxações sobre setores estratégicos da economia brasileira deve ser respondida com diálogo nos campos diplomático e comercial", diz o texto.
A nota também afirma: "O Congresso Nacional acompanhará de perto os desdobramentos. Com muita responsabilidade, este Parlamento aprovou a Lei de Reciprocidade Econômica. Um mecanismo que dá condições ao nosso país, ao nosso povo, de proteger a nossa soberania. Estaremos prontos para agir com equilíbrio e firmeza em defesa da nossa economia, do nosso setor produtivo e da proteção dos empregos dos brasileiros".
A divulgação da nota ocorre após encontro entre os dois nesta tarde. Ao final da reunião de líderes da Câmara nesta quinta, Motta evitou comentar o assunto e disse que sua posição representará "o sentimento da Casa". O assunto foi tema de discussão no colegiado, a porta fechadas, sem a presença de assessores.
"Estamos conversando. Tenho que ouvir o colegiado", disse.
Questionado se a decisão se Trump seria um ataque à soberania, Motta afirmou: "Minha posição será uma que tenha o sentimento da Casa, ouvindo a todos. Foi um dos temas que debatemos na reunião. Vamos seguir discutindo ao longo do dia".
MOÇÃO DE REPÚDIO
Mais cedo, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), protocolou moção de repúdio à decisão de Trump. O deputado pede que o texto seja encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores e à Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
A moção do líder petista diz que é inaceitável que o presidente dos Estados Unidos adote medidas econômicas contra o Brasil “com motivações puramente políticas, unicamente para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro e atacar as instituições democráticas do país, como o Supremo Tribunal Federal”.
A medida é uma “retaliação arbitrária e uma afronta direta à soberania brasileira”, e o Brasil não pode aceitar “passivamente esse tipo de ingerência externa que agride nossa democracia e os princípios do Estado de Direito”, acrescenta o texto.
“Manifestamos nosso firme repúdio à decisão do presidente Donald Trump de impor absurdas tarifas de 50% às exportações brasileiras, com fundamento em deslavadas mentiras assacadas contra o Brasil, um país pacífico e cordato, e seu sistema de justiça, o qual destaca-se por seu firme compromisso com o devido processo legal e sua sólida independência, ante indevidas pressões políticas, internas e externas”, diz a moção.
“Tal medida, se mantida, poderá afetar os interesses de cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para os EUA e o emprego de milhões de brasileiros, principalmente nos setores que produzem aviões, peças de carros, suco de laranja, carnes, aços e outros produtos estratégicos”, prossegue o texto.
“Trata-se, fundamentalmente, de medida ofensiva à soberania e à democracia do Brasil, que afetará, por motivos políticos menores, como a defesa de agressores da democracia, as estratégicas relações bilaterais Brasil/EUA, as quais precisam ser protegidas de agentes solertes que atentam, de forma maliciosa, contra os interesses maiores de ambos os países”, finaliza o texto. (Colaborou Luciano Nascimento/Agência Brasil)


