Motta condena incesto com o Congresso
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segunda-feira, 08 de setembro de 1997
Agência Folha São Paulo 
O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, disse ontem, em São Paulo, que o governo mantém uma relação incestuosa com o Congresso e que só uma ampla reforma política poderá acabar com isso. Motta chamou de quase nojenta, uma excrescência, a aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado da redução do quórum para eleger o presidente no primeiro turno e da extinção do segundo turno para governadores.
O ministro fez essas declarações no início da tarde na capital paulista durante a filiação do deputado federal Alberto Goldman ao PSDB. No final de julho, declarações semelhantes de Motta geraram uma crise política no país. Na época, o presidente Fernando Henrique Cardoso censurou publicamente seu ministro e afirmou que ele devia evitar comentários sobre temas envolvendo o governo. É a primeira vez que Motta faz comentários políticos depois daquele episódio.
No discurso feito ontem em São Paulo, Motta atirou em várias direções. Um de seus alvos foram os partidos que formam a base do governo, como PFL, PMDB e PTB. Disse que as reformas econômicas são vitórias do PSDB. Nenhum outro partido tem participação (na reforma econômica). Tem participação secundária, terciária. A proposta é do PSDB. Nós trabalhamos para o país, declarou o ministro.
Aplaudido com entusiasmo pelos tucanos que lotavam a sede do PSDB paulista, o ministro disse que o objetivo de seu partido é dominar politicamente todo o país. Nós temos legitimidade. O povo votou conosco, afirmou. Se hoje controlamos 95% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, queremos controlar também geograficamente 95% do país, afirmou. Queremos eleger uma bancada majoritária na Câmara e no Senado. Queremos a presidência da Câmara e do Senado.
O ministro criticou o inchaço do PSDB com as filiações que vêm sendo feitas. Foi duro em relação à filiação do ex-governador baiano Nilo Coelho. Informou que pedirá hoje a sua expulsão do partido. É uma vergonha ele ter entrado no partido, afirmou. Segundo Motta, há mais um ou dois casos de novos filiados que ele também pedirá a expulsão do PSDB. Mas se recusou a dizer os nomes.
Motta referiu-se ao incesto entre governo e Congresso ao falar das dificuldades que FHC tem tido para governar. Estamos construindo o Brasil com as dificuldades que nós sabemos, com a relação incestuosa com o Congresso. E nós não vamos ceder a essa relação incestuosa. Votem a reforma que quiserem, que nós vamos nos preparar para, no próximo governo, fazer as reformas finais, afirmou. Não haverá mais conciliação em nível de ministério.
Para o ministro, o Congresso não tem interesse em aprovar a reforma política, como o voto distrital e a proporcionalidade eleitoral. Vocês acham que os Ronivons Santiago vão aprovar fidelidade e mudar a representatividade? O ministro referia-se ao ex-deputado Ronivon Santiago (ex-PFL-AC), que se envolveu na venda de votos para aprovar a reeleição de FHC. No episódio, o próprio ministro é citado como um dos envolvidos na negociação. Motta disse que as mudanças para o segundo turno são uma excrescência, um oportunismo deslavado. Para ele, FHC liberou o partido para atacar frontalmente o projeto. Nós rejeitamos por ser oportunista, quase nojenta.


