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Brasília

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PressaJosé Lourenço, presidente da comissão da reforma da Previdência no Congresso: Planalto fará campanha de esclarecimento O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, cobrou ontem dos aliados do governo na Câmara o voto na reforma previdenciária, enquanto os presenteava com a concessão da nova emissora de rádio FM da Câmara. A cobrança foi dirigida, de forma sutil, ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e a todos os líderes governistas que foram ao auditório do Ministério de Motta para a entrega da concessão. ‘‘Tenho certeza de que até o dia 13 de fevereiro o Congresso votará as reformas administrativa e previdenciária, essenciais para demonstrar ao mercado internacional a coerência e seriedade nas ações do Brasil’’, afirmou.
Conhecido como ‘‘trator do governo’’, Motta integrou o esforço para quebrar a resistência à aprovação da reforma da Previdência, que exigiu também o envolvimento direto do presidente Fernando Henrique Cardoso. Desde a semana passada, FHC está ligando para os líderes auxiliares na Câmara com o objetivo de conversar sobre a necessidade de uma negociação com as bases pela aprovação da reforma. Decidiu também dar declarações mais incisivas em favor das mudanças pretendidas. Na segunda-feira, o governo começa a divulgar na televisão uma propaganda de esclarecimento da reforma da Previdência.
O governo tentará, recorrendo a uma campanha direta e de linguagem clara para o telespectador, reverter a resistência da sociedade ao projeto e, com isso, conquistar apoio popular para quebrar as dificuldades na base parlamentar. ‘‘A campanha vai mostrar que a reforma não atinge direitos adquiridos e, sim, acaba com privilégios’’, afirmou o líder do PSDB, deputado Aécio Neves (MG). Numa conversa com Aécio ontem, Fernando Henrique insistiu que espera dos líderes a aprovação da reforma no plenário da Câmara até o dia 13, quando acaba o período de convocação extraordinária.
‘‘Temos de colocar a campanha nas ruas para mexer com setores que costumam criticar e não querem compreender a necessidade dessa reforma’’, defendeu o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), devolvendo aos empresários a crítica de que eles não se envolvem no debate da Previdência. A maior preocupação do governo, entretanto, é conter uma onda de reações da sociedade à reforma, como ocorreu na primeira passagem da emenda constitucional pela Câmara.
As declarações do presidente à manifestação dos aposentados em Brasília, anteontem, refletem essa preocupação. Na conversa com o líder tucano, Fernando Henrique voltou a reclamar da participação de parlamentares no movimento dos aposentados, considerando-o ‘‘deprimente’’, e criticou a oposição, retornando três vezes ao assunto.

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