Motta aponta para ação de indústria da denúncia
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sexta-feira, 17 de outubro de 1997
Agência Folha Rio de Janeiro 
O ministro das Comunicações, Sérgio Motta (foto), negou que tenha participado de negociações para a liberação de recursos do BNDES para o Estado de Rondônia, que viabilizariam a reeleição do governador, Valdir Raupp (PMDB). Mesmo negando sua participação no episódio, disse que não vê irregularidade na liberação do dinheiro pelo BNDES e que vários Estados estão recebendo o mesmo tratamento.
Qual é a denúncia? Estão montando uma indústria de denúncias no país. Duas pessoas estranhas conversam, gravam qualquer coisa e vocês passam a legitimar, disse Motta, ao comentar a fita gravada pelo deputado Emerson Olavo Pires (PSDB-RO) a partir de conversas telefônicas com o governador de Rondônia. Motta disse que o deputado, seu companheiro de partido, tem trauma pela morte e deu a entender que considera Rondônia um Estado violento. Aquela coisa lá, sabe como é. Nem vou lá, porque tenho medo.
Na fita, cujo teor foi publicado ontem pela Folha de S.Paulo, Valdir Raupp dizia que acertou a liberação de R$ 66 milhões em verbas federais para seu Estado com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com o ministro Sérgio Motta. Dizia também que o dinheiro será liberado pelo BNDES e servirá para que ele consiga concluir um programa de obras, melhorando suas chances de reeleição em 98.
O ministro Sérgio Motta disse que o BNDES vai liberar verbas para vários Estados como antecipação de receita da privatização de empresas de energia estaduais de energia elétrica que estão em processo de privatização. Segundo ele, o governador Mário Covas (PSDB-SP) receberá R$ 1 bilhão como antecipação da privatização da Cesp e que o mesmo acontece no Maranhão, no Paraná e em outros Estados.


