LISBOA - Citado no escândalo da compra de votos em favor da reeleição, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, disse ontem, em discurso a empresários portugueses, que não há crise nem escândalo na administração federal. ‘‘Hoje os senhores não têm nenhum tipo de escândalo em nível da administração federal’’, disse Motta a 120 empresários, que foram ouvi-lo falar das mudanças no setor de comunicações no País. ‘‘Sou um profissional de engenharia e sei bem o que era o Brasil dos últimos anos e o que é o Brasil de hoje.’’
O ministro afirmou que o governo está buscando ‘‘a restauração da ética e da moral na gestão pública’’. Segundo Motta, a queda de popularidade do governo não é um fato significativo. ‘‘O governo brasileiro tem apoio de 36 milhões de votos’’, afirmou. Ele lembrou que o presidente já teve 91% de aceitação (ótimo, bom e regular). Segundo o ministro, logo depois da privatização da Vale, ‘‘teve uma pequena queda e foi para 83%’’. ‘‘Depois dos últimos episódios, ficou com 81%’’, disse. ‘‘Quando se pergunta do presidente, pessoa física, a aceitação é enorme. Quando se pergunta sobre políticas setoriais é que tem alguma variação.’’ Segundo ele, isso deve-se à proximidade das eleições (98).
Motta fez críticas aos parlamentares e disse que a atual lei orgânica dos partidos dificulta a aprovação das reformas. ‘‘Não há fidelidade partidária, cada dia o sujeito muda, a posição ideológica é variável, vai ao sabor do clima’’, afirmou. Por isso, na sua opinião, o governo encontra dificuldade para formar a maioria permanente no Congresso. ‘‘Só com a capacidade de tolerância do presidente’’, disse. ‘‘Eu não sou tão tolerante.’’
Motta acusou mais uma vez o PT de ser um partido corporativo, devido à sua posição contrária às reformas do governo. ‘‘O Partido dos Trabalhadores tem em seu diretório nacional, com 60 a 70 membros, apenas um operário’’, afirmou. ‘‘Todos os outros são funcionários públicos; é um partido da corporação.’’

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