Curitiba - A opinião é dos motoristas ouvidos pela Folha: o pedágio melhora as estradas, porém o valor cobrado não corresponde à qualidade do que o motorista encontra ao viajar. Ontem, muitos motoristas foram pegos de surpresa, e reclamaram do novo valor, reajustado em 10,13% em média pelo governo do Estado. As concessinárias prometem valores maiores. Quatro das seis concessionárias de pedágio do Paraná afirmaram que vão contestar, nem que seja na Justiça, a tabela do governo que, segundo elas, descumpre os contratos de concessão.
''Eu evito pegar carga para o Paraná. Eu tenho que pagar do meu bolso 10% do valor do pedágio'', afirmou o caminhoneiro Itael Duraes da Silva, que mora no MT e pega alguns fretes para o Paraná. É o mesmo argumento do caminhoneiro Claucimar Nesi. ''Na época da safra, quando a gente vem do Mato Grosso para cá paga R$ 480,00 de ida e volta (preço antigo). Imagine pagar esse valor três, quatro vezes por mês?'', reclamou antes de saber do reajuste. ''Mas já subiu? Não sou contra. O pedágio melhora as estradas, mas não precisa ser tão caro.''
O aposentado Valmor Batista disse que prefere viajar de ônibus para passear no Litoral. ''Eu ganho R$ 260,00 por mês. Como eu vou pagar gasolina e mais pedágio (R$ 8,50) para ir para a praia?'' A passagem de ônibus para o litoral custa entre R$ 13 e R$ 16. Há quem defenda que as benfeitorias realizadas pelas concessionárias vale o preço da tarifa. ''Passo todos os dias por aqui e acho a estrada ótima, além de os motorias terem toda a assistência necessária. Tudo tem um custo. Se o reajuste for necessário temos que aceitar'', argumentou o vendedor Francisco Domingues.
Para o Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas do Estado do Paraná (Setcepar) o reajuste do pedágio e do óleo diesel (8%) vai refletir no bolso do consumidor. ''Nós não temos como segurar essa alta e vamos repassar para o empresário'', afirmou o presidente eleito do Setcepar, Fernando Nunes. ''Entedemos a necessidade do pedágio, mas contamos com o bom senso do governo para controlar os preços.''
O presidente da Associação dos Comerciantes das Margens de Rodovias do Estado do Paraná, Arlindo Rodrigues, direcionou suas críticas também ao governo do Estado. ''Agora o Requião afrouxou de vez concendo o reajuste, mesmo que menor e, com certeza, não vai mexer mais'', protestou. A entidade foi criada há quatro anos só para brigar contra o pedágio. ''A queda nas vendas desde que o pedágio surgiu foi de, no mínimo, 30%'', afirmou.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e o Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), estão fazendo os cálculos de quanto a tarifa vai onerar o produtor e, por isso, preferem não pronunciar por enquanto.
As concessionárias prometem usar todos os meios para conseguir o reajuste integral pedido por elas, que varia de 10,34% a 28,77%. Apenas a Viapar teve sua reivindicação de aumento atendida pelo governo. As demais vão contestar administrativa ou juridicamente o cálculo do governo.

mockup