Motoristas devem iniciar 2026 com gasolina mais cara
Reajuste do imposto sobre os combustíveis começa a valer em 1º de janeiro; economista prevê efeito cascata
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Reajuste do imposto sobre os combustíveis começa a valer em 1º de janeiro; economista prevê efeito cascata

O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre os combustíveis vai aumentar a partir do dia 1º de janeiro de 2026, em decorrência de uma decisão tomada em setembro pelo Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), que reúne secretários da Fazenda de todos os estados. O reajuste deve impactar diretamente os preços da gasolina e do diesel nas bombas logo no início do próximo ano.
No caso da gasolina, a alíquota específica do imposto estadual terá aumento de R$ 0,10 por litro, passando de R$ 1,47 para R$ 1,57. Já no diesel, a elevação será de R$ 0,05 por litro, de R$ 1,12 para R$ 1,17. Como o ICMS é um tributo cobrado na origem, o impacto tende a ser repassado ao longo da cadeia até o consumidor final.
Em nota, o Paranapetro (Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná) afirmou que o repasse do aumento do imposto das distribuidoras para os postos ocorre de forma imediata. Segundo a entidade, a mudança “reflete em aumento para o mercado”.
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Além do impacto direto no bolso do motorista, o aumento do ICMS sobre os combustíveis deve gerar reflexos mais amplos na economia. O economista Emerson Esteves avalia que a elevação do imposto tende a provocar um efeito cascata, encarecendo outros produtos e serviços.
“O transporte de boa parte da produção do Brasil é feito pelo modal rodoviário. Vamos ter impacto nos hortifrutigranjeiros, porque eles são transportados por caminhões a diesel. Isso vai gerar aumento no custo de produção e pode reduzir ainda mais a margem dos produtores, que já é pequena”, afirma o especialista, que também cita reflexos em outros itens do dia a dia, desde produtos de limpeza até alimentos.
Esteves ainda destaca o possível impacto inflacionário da medida. “Há estimativas de que esse aumento possa pressionar a inflação do ano que vem, medida pelo IPCA, em cerca de 0,1%. Ainda precisamos acompanhar se isso vai se confirmar e em quanto tempo esse custo será repassado ao consumidor final. Em alguns produtos, esse repasse tende a ser imediato”, afirma.
REAÇÃO
Segundo o analista Gabriel Barra, do Citibank, há uma tendência de que a Petrobras anuncie um corte no preço da gasolina no início de 2026 para compensar o efeito do aumento do ICMS sobre os valores cobrados nas bombas. A avaliação é que a estatal tem espaço para reduzir os preços, já que a gasolina no mercado interno está cerca de 9% acima dos valores internacionais.
No caso do diesel, apesar de os preços estarem praticamente em linha com a paridade internacional, também existe a possibilidade de um ajuste para baixo.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.





