Motoristas descobrem desvio na BR-277
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Para fugir da tarifa (R$ 9,80) do pedágio na BR-277, que liga Curitiba ao litoral do Estado, alguns motoristas descobriram um caminho alternativo. O desvio, cuja entrada fica cerca de 1,5 quilômetro antes da praça de pedágio (no km 61 no sentido Curitiba/praias), é uma estrada de terra de 10 quilômetros chamada pelos moradores da região como estrada do Pinheiro Seco. Ela desemboca novamente da BR-277, quatro quilômetros para frente da praça de cobrança. Apesar de ser de terra e um pouco estreito em alguns pontos, o caminho alternativo está bem conservado e não apresenta riscos quando usado durante o dia e sem tempo chuvoso.
A via alternativa ainda é pouco frequentada, principalmente por caminhões. Porém, a grande maioria dos motoristas que transita por ali precisa viajar por causa da profissão, ou seja, com frequência. ''Todos os dias eu vou para Curitiba pela estrada da Graciosa e volto por aqui'', conta o pequeno empresário de Morretes, Antonio Albino da Silva, que vem diariamente à Capital trazer seus produtos. ''Se eu fosse pelo pedágio seria quase R$ 5 mil por ano. E eu gasto, por dia, R$ 30 de álcool. Com o pedágio, iria gastar mais R$ 20. Vale a pena vir por aqui'', justifica. Mesmo a estrada sendo de terra, Silva afirma que as condições são boas e que o trajeto de cinco quilômetros a mais é compensador.
O taxista de Paranaguá, Luiz Miguel Albine, que frequentemente traz passageiros para Curitiba, concorda. ''A gente é dono do carro e por isso cuida. Então, se não abusar não tem desgaste'', explicou. Albine conta que geralmente vem à Capital pela BR-277 porque o preço da corrida já é fixo e porque o passageiro que viaja de táxi quer conforto, independente de qualquer coisa. Porém sempre volta ao litoral pelo caminho alternativo. ''O combustível já está caro, temos vários impostos para pagar. Fica difícil e se tem um lugar para economizar, melhor'', afirmou.
O desvio sai no km 56 da rodovia. Para os motoristas que desejam ir ao litoral ele não apresenta nenhum problema. Isso porque ele sai em um pequeno trevo de fácil entrada na BR. Já para quem vem das praias para Curitiba o acesso é um pouco mais complicado. Bem em frente ao final da via alternativa existe um retorno operacional, que por ser perigoso só pode ser usado por carros da concessionária de pedágio, a Ecovia. Alguns motoristas param no acostamento, esperam o trânsito nos dois sentidos da BR acalmarem e atravessam. Uma outra opção é fazer o retorno antes de atravessar a praça, quatro quilômetros para frente. E na outra ponta da estrada tem um retorno convencional, facilitando a volta para a pista sentido Curitiba.
A concessionária Ecovia afirma que, até agora, o desvio não trouxe nenhum prejuízo. Por meio de sua assessoria, a Ecovia afirmou que o fluxo na praça não diminuiu e que é improvável que o motorista que pegar a via volte outras vezes ''por ela ser ruim e esburacada''. A concessionária disse ainda que não pretende tomar nenhuma medida para barrar o fluxo de veículos na estrada e que ''futuramente pode estudar o caso''. A via dá acesso a inúmeras residências e principalmente propriedades rurais, o que tornaria inviável o seu fechamento.
Transitanto pelo local é possível notar que recentemente foram feitos trabalhos de manutenção na via. O trecho é de responsabilidade da prefeitura de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba (RMC). A Folha tentou contato com o secretário de Obras de São José, Sérgio Munis, para saber se existem planos de melhoramentos da via. Contudo foi informada que o secretário só poderia atender hoje.
A questão de caminhos alternativos para estradas pedagiadas já está sendo discutida na Justiça. No último dia 26 de janeiro o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região considerou ilegal a cobrança de pedágio na BR-277, nos trechos Paranaguá-Curitiba, Campo Largo-São Luiz do Purunã e Palmeira-Irati, devido à inexistência de via alternativa a rodovia pedagiada.


