Motorista pede cassação de vereador londrinense
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domingo, 10 de fevereiro de 2008
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
A Câmara Municipal de Londrina recebeu, no início da noite de sexta-feira, mais uma denúncia com pedido de cassação protocolada por um cidadão comum contra um membro do Legislativo. Dessa vez, o alvo foi somente Orlando Bonilha (PR), que junto com três vereadores já está sendo investigado pela Comissão de Ética da Casa por extorsão e formação de quadrilha.
O autor da nova representação foi o motorista Marcos Antonio Frasson, 42 anos. Sem apresentar fatos novos, Frasson se restringiu a anexar ao documento o depoimento prestado pelo ex-vereador Henrique Barros (sem partido) ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em janeiro. Foi nessa oitiva que Barros, preso em flagrante com R$ 9,9 mil recebidos de dois empresários, apontou os vereadores Bonilha, Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (PMDB) e Flávio Vedoato (PSC) como seus comparsas em esquema de cobrança de propina para aprovação de projetos de lei.
''Fiz isso como cidadão indignado com a situação da Câmara. A gente dá carta de crédito para os nossos representantes fazerem alguma coisa boa e depois descobre isso tudo'', justificou o autor da representação. Frasson disse que quer evitar que o caso seja engavetado e que, mesmo tendo ''esperança que ninguém tenha culpa no cartório'', acha que as denúncias são graves. ''Se uma coisa dessas acontece na sua casa, você não vai ver, não vai fazer nada?'', questionou.
Ao explicar por que decidiu representar somente contra Bonilha, o motorista cometeu um equívoco: disse que o vereador era presidente da Câmara quando as supostas irregularidades ocorreram, no segundo semestre do ano passado. Bonilha ocupou o cargo até o início de 2006, quando a presidência foi passada para Sidney de Souza (PTB).
Bonilha declarou não ter dúvidas de que se trata de ''perseguição política'', orquestrada por um grupo que estaria ''usando'' Frasson. ''Não existe fato novo, nada. Estamos próximos das eleições municipais, teremos 400 candidatos a vereador e há muita gente interessada em denegrir a imagem dos atuais membros da Câmara'', observou o edil, afirmando não conhecer o motorista. ''O objetivo desse grupo político é que continuemos sangrando na mídia, a partir de falsas denúncias feitas de forma infantil pelo ex-vereador (Barros). Já aleguei minha inocência e reafirmo'', atestou. Ele não quis dizer que grupo político seria esse.
Frasson desafiou ''qualquer um'' a investigar sua vida, garantindo que jamais teve ligação com a política ou filiação partidária. Ele afirmou que tomou a atitude depois de conversar com um amigo, que pediu ajuda a um advogado para formular a denúncia e ter acesso ao depoimento de Barros. O autor não quis revelar a identidade do colaborador. ''Assino a denúncia sozinho e não tenho medo. Peixe grande, nessa época, é o eleitor. Temos mais poder que os políticos.''
O presidente da Câmara disse que irá encaminhar a representação à Comissão de Ética amanhã. Souza esclareceu que, apesar dos termos usados no documento, não é possível ''pedir a cassação'' do vereador, mas sim provocar um processo que pode culminar na perda de mandato.
''Entretanto, essa denúncia é redundante pois é idêntica à que já está tramitando. Ela deve ser juntada à outra, mas não muda o processo'', explicou, referindo-se à representação protocolada mês passado pelo microempresário Juney Arimatsu, e que deu início ao procedimento investigatório da Comissão de Ética. O processo está na fase de análise das defesas prévias apresentadas pelos quatro acusados. A comissão também deve ter acesso amanhã às gravações de escutas telefônicas liberadas pela Justiça.


