Mortes adiam projeto de unificação
Com a morte de Aníbal Khury e do ex-prefeito de Porto União Alexandre Puzzina, dois defensores do movimento pró-unificação de Porto União e União da Vitória, a campanha fica enfraquecida. ‘‘Essa idéia morreu com o prefeito. Não está nos nossos planos incentivar’’, revela o chefe de gabinete da Prefeitura de Porto União, Roberto Caon. Mas não é difícil encontrar adeptos da vontade do ex-prefeito.
‘‘Depois que ele morreu ninguém mais fala do assunto, mas já estava na hora de retomar’’, reivindica o bancário aposentado Ivo Hercílio Wolff, um dos defensores da unificação junto com a mulher, Therezinha. ‘‘A gente tem muito mais contato com o Paraná do que com Santa Catarina, os impostos no Paraná são mais baratos e seria melhor Porto União pertencer ao Paranᒒ, argumenta Wolff.
‘‘O Paraná é mais organizado’’, completa o estudante universitário Celso Godoi Neto, que mora em União da Vitória e trabalha no cartório de Porto União, do outro lado da linha. A oficial de registro civil Cleis Koerner não concorda com seu funcionário. ‘‘Não gostaria de perder minha identidade. Talvez porque eu seja muito catarinense’’, explica. Ela conta que a rivalidade entre catarinenses e paranaenses começou dentro da própria casa: a mãe era do Paraná e o pai de Santa Catarina.
‘‘Se pensássemos em economia compensaria porque aqui temos tudo de dois. Dois bancos do Brasil, dois fóruns, duas delegacias, duas prefeituras. Mas perderíamos postos de trabalho’’, acredita o advogado Marcos Bhorer.
Um acordo entre os governos de Santa Catarina e Paraná permitiu, segundo os moradores, que os serviços de água, luz e telefone dos catarinenses de Porto União fossem prestados pelo Paraná. Água da Sanepar, luz da Copel e telefones da Telepar abastecem os cerca de 30 mil habitantes de Porto União e os 48 mil moradores de União da Vitória.
A primeira tem fama de ter hospitais mais bem estruturados e a segunda de oferecer melhores serviços no comércio. A noite de União da Vitória, com seus bares e restaurantes, também seria melhor do que as noitadas na vizinha catarinense.
União da Vitória é mais antiga – tem 109 anos contra 82 de Porto União. Conta a história que com a Guerra do Contestado (1912-1916), desencadeada pela expulsão de milhares de sertanejos para a construção da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande, Santa Catarina e Paraná passaram a disputar suas terras limítrofes.
Em 1916 veio o acordo firmado entre os dois estados: o Paraná cedeu parte de União da Vitória para Santa Catarina que, em 1917, criou Porto União. Separadas por trilhos – a ferrovia já está desativada – e pelas águas do Rio Iguaçu, as cidades compartilham das madeireiras – são mais de 200 entre pequenas, médias e grandes nos dois municípios, principal fonte de renda e emprego. Também já compartilharam de inúmeras enchentes do Rio Iguaçu e dos pioneiros que vieram da Ucrânia, Polônia, Itália e Suíça. Famílias de sírios-libaneses também ajudaram a colonizar as duas cidades. (P.Z.)

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