Arquivo FolhaParou tudoVeras: ‘‘Fica difícil a aprovação das reformas. Ele era uma pessoa muito importante no processo’’A morte súbita do líder do governo na Câmara, deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), desabou a base governista. A sustentação política do governo Fernando Henrique Cardoso apoiava-se no tripé Sérgio Motta-Luís Eduardo-Antônio Carlos Magalhães. Motta era o grande operador político, persuasivo, que garantia no Executivo os acordos necessários para mobilizar o Congresso. Luís Eduardo o articulador habilidoso, aberto ao diálogo, com trânsito em todos os partidos representados na Câmara. Antônio Carlos o político malicioso e atropelador, que, como presidente do Senado, vem garantindo a aprovação dos projetos de interesse do governo. Sem os seus dois principais pilares de sustentação e com o comprometimento, pelo menos temporário, da forte presença de Antônio Carlos Magalhães no quadro político, o presidente enfrentará dificuldades para reestruturar a base governista.
A consequência imediata da morte do líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães, será o adiamento das votações da reforma da Previdência e das medidas provisórios que estão obstruindo a promulgação da reforma administrativa.
O clima de consternação pela morte do ministro Sérgio Motta e de Luís Eduardo, em menos de 48 horas, praticamente inviabiliza qualquer mobilização dos parlamentares esta semana.
Anteontem, à noite, o risco de paralisação da votação das reformas era uma preocupação entre os parlamentares: ‘‘Fica mais difícil a aprovação das reformas porque o Luís Eduardo era uma pessoa muito importante no processo’’, admitiu o senador tucano Beni Veras (CE).
Mesma posição defendeu o deputado Alberto Goldman (PSDB-SP): ‘‘A morte repentina do deputado Luís Eduardo vai acarretar o adiamento da votação dos pontos da reforma da Previdência’’. O ex-ministro da Justiça e senador Íris Rezende (PMDB-GO) considerou ‘‘indiscutível’’ um atraso na votação das reformas, mas, ao mesmo tempo, não perdeu as esperanças. ‘‘Temos a certeza de que as reformas vão sair, mas com mais dificuldade’’, afirmou.
O líder do governo no Congresso, senador José Roberto Arruda (PSDB-SP), foi um dos poucos que cultivava o otimismo e disse que ainda era cedo para se fazer qualquer avaliação sobre o futuro das reformas. ‘‘Ninguém vai perder o equilíbrio por causa da morte do deputado Luís Eduardo’’, apostou Arruda.
O ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega também teme pelo futuro das reformas. Anteontem à noite, ele disse à Agência Estado que torce para que a força da tragédia sirva como elemento de mobilização dos parlamentares. ‘‘O Congresso prestaria uma homenagem a esses dois líderes (Luís Eduardo Magalhães e o ministro Sérgio Motta) se aprovasse as reformas antes do início do processo eleitoral. Para isso, segundo Mailson, seria necessário que o presidente Fernando Henrique escolhesse rapidamente os substitutos de Motta e Luís Eduardo. Mas ele mesmo considera muito difícil, depois deste forte baque para Fernando Henrique. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) tem a mesma opinião do ex-ministro: ‘‘O presidente deve estar abalado com a perda do seu líder político e do seu conselheiro e amigo. É uma responsabilidade profundamente pesada para o presidente’’. (AE)

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