Morte de Tancredo não tem homenagem
Os feriados de Tiradentes e Sexta-Feira Santa coincidiram, ontem, com os 15 anos da morte de Tancredo Neves, presidente que se tornou emblema da Nova República, mesmo sem ter assumido o Palácio do Planalto. Ele foi o primeiro civil após 21 anos de regime militar no País. Mas, em respeito à Sexta-feira da Paixão, a família do ex-presidente não organizou nenhuma solenidade em homenagem ao político. Muito religioso, ele era um assíduo participante das procissões da Semana Santa, em São João Del Rey, cidade onde nasceu e está enterrado. A eleição de Tancredo, apesar de indireta, foi recebida com entusiasmo no País. Em 15 de janeiro de 1985, nove meses depois da derrota da emenda das diretas, o político moderado do PMDB foi eleito pelo Colégio Eleitoral, vencendo o adversário Paulo Maluf, do PDS. Na véspera da sua posse, em 14 de março de 1985, foi internado em Brasília. Em 38 dias ele passou por sete operações. Sua morte foi anunciada em 21 de abril, no Instituto do Coração, em São Paulo, aos 75 anos. A tragédia causou comoção nacional. Sua marca na política brasileira sempre foi o espírito conciliador. Era um homem hábil nas conversas, e recebeu o mérito de ter liderado a aliança que trouxe os civis de volta ao Poder. Era também um varguista, costumava apontar Getúlio Vargas como o melhor presidente que o País já havia tido. Em Brasília, durante a semana, o seu neto, o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), lembrou a data num discurso emocionado no Congresso. Ele disse que a carreira política do avô foi marcada pela incansável defesa da liberdade, mas salientou que a democracia que Tancredo ajudou a retomar não é ainda instrumento efetivo de mudanças, garantindo mais dignidade e cidadania ao povo brasileiro.

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