Curitiba - Depois de cinco anos, a região de Rio Branco do Sul continua sendo vítima da chamada ''Lei do Silêncio''. As mortes continuam acontecendo e não aparecem testemunhas para relatar o caso. Em janeiro deste ano, duas mortes de pessoas citadas na CPI do Narcotráfico ainda não foram esclarecidas. Uma delas envolve Antônio Luiz da Silva, conhecido como ''Zóio'' e apontado como sendo um pistoleiro conhecido da Região Metropolitana de Curitiba. Ele foi condenado pela tentativa de assassinato do empresário do ramo de desmanches, Adélio de Jesus Becker. A encomenda teria sido feita por Caboclinho, que também foi condenado e pagou pena.
Zóio foi assassinado no dia 9 de janeiro, por volta das 22h30. Ele teria saído, conversado na rua com alguém por várias horas e antes de voltar para casa, foi morto com seis tiros. O delegado de Rio Branco do Sul, Artem Dach, acredita que tenha sido um encontro casual (mesmo que o assassinato já estivesse sendo planejado). ''Com certeza quem matou era amigo dele. Eles conversaram muito e depois o Zóio foi brutalmente assassinado'', relatou o delegado. A morte de Zóio estava sendo mantida em sigilo. As investigações não conseguiram evoluir por falta de depoimentos que liguem o autor do assassinato ao dia dos fatos.
''Deve ter havido testemunhas neste crime. Ele morreu perto do parque principal da cidade. Alguém viu. Mas as pessoas não falam ou porque têm medo ou porque não têm vontade de colaborar. Parece que todos agem como se tivessem envolvimento ativo ou passivo no assassinato'', falou Dach. ''Crime geralmente é assim. A gente tem que resolver em 48 horas, ou fica mais complicado depois.'' Zóio tinha saído da prisão há menos de um mês quando foi assassinado. ''A verdade é que a morte dele pode interessar a muitos por aqui. Mas não tem como provar. Não consigo juntar evidências'', acrescentou o delegado.
Zóio ainda respondia judicialmente mais uma ação penal, ao lado de Caboclinho, por homicídio qualificado. Zóio teria matado Jesael Cubas, em novembro de 1999, a pedido de Caboclinho, com quatro tiros. De acordo com o Ministério Público (MP) estadual, Jesael e Caboclinho seriam rivais no ramo de auto-peças, em Rio Branco do Sul. Os dois negavam o crime. Entretanto, na casa de Zóio foi encontrada uma arma calibre 380 que teria sido usada no crime. O filho de Caboclinho, que é advogado, argumenta que o pai vai contar tudo o que sabe no júri de Rio Branco do Sul, quando for convocado. Caboclinho saberia quem teria realmente contratado Zóio para matar Jesael Cubas.
O advogado da família de Jesael Cubas, o criminalista Cláudio Dalledone Júnior, lamentou a morte de Zóio que seria mais um presonagem da Região Metropolitana de Curitiba que teria sido silenciado. ''Para mim é um fato inusitado. É mais um caso dessa série de homicídios que ocorre em Rio Branco do Sul'', lamentou o advogado. (L.P.)

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