ALTAMIRA, PA - A Polícia Civil do Pará indiciou ontem o agricultor Amair Feijoli da Cunha, 37, conhecido como Tato, acusado de co-autoria no assassinato da freira Dorothy Stang, no município de Anapu (sudoeste do Pará). Ele é o primeiro dos quatro suspeitos de envolvimento no crime a ser preso. Cunha foi indiciado (a polícia reconhece indícios de envolvimento no assassinato e submete o acusado a inquérito criminal) por homicídio qualificado. O crime de homicídio qualificado prevê pena de 12 a 30 anos de reclusão.
Em depoimento à Polícia Civil de Altamira (777 km de Belém), ontem, Cunha negou a participação na morte da freira. Como é investigado em dois inquéritos (Polícias Civil e Federal), a PF também acolheu o depoimento. Tanto a Polícia Civil quanto a PF trabalham com a hipótese de crime ''encomendado''. A diferença é que para a PF o assassinato é decorrente de conflito agrário.
Cunha é suspeito de ter contratado, a mando do fazendeiro Vitalmiro de Moura Bastos, dois supostos pistoleiros Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, e Uilquelano de Souza Pinto, o Eduardo para matar Dorothy Stang. Fogoió e Eduardo, ambos foragidos, trabalhavam plantando sementes de capim para Cunha.
O delegado da Polícia Civil Waldir Freire, responsável pelas investigações, disse ''ter certeza'' da participação de Cunha no crime. ''Se não tivéssemos a certeza da participação dele e dos demais, não teríamos pedido as prisões preventivas'', disse Freire. O depoimento à Polícia Civil foi conduzido pelo delegado Marcelo de Souza Luz, de Anapu, com duração de duas horas e 40 minutos, acompanhado pelo advogado do agricultor, Oscar Damasceno Filho, os promotores do Ministério Público Estadual Sávio Brabo e Edmilson Leroy e a advogada da CPT (Comissão Pastoral da Terra) Antonia Santos. O advogado Augusto Septimio, que defende o fazendeiro Vitalmiro de Moura Bastos, também assistiu ao depoimento.
Na delegacia da Polícia Civil, Cunha respondeu a 70 perguntas e, na sequência, foi levado à sede da PF. Depois de 30 minutos, retornou à Cadeia Pública de Altamira, por volta das 15h, escoltado por policiais do Comando Tático da Polícia Militar. Usava as mesmas roupas que trajava quando se apresentou à polícia (bermudas, camiseta e chinelo) e estava protegido por um colete à prova de balas.
Na porta da delegacia, a mulher do agricultor, Elizabeth Cunha, 33, afirmou que abandonou sua casa levando os dois filhos do casal quando soube que ele era acusado de ter participado do crime. Ela disse ainda que Cunha é inocente e que só havia recebido ontem a confirmação de que o marido estava vivo.
Sobre a ligação com Vitalmiro de Moura Bastos, ela disse que Cunha comprou três lotes de terra do fazendeiro e se mudou para Anapu no dia 24 de janeiro. Segundo Damasceno Filho, advogado de Cunha, o agricultor comprou um lote de 300 ha de terras nos fundos do PDS Esperança. O fazendeiro argumenta ser dono da área.

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