Morte de Luís Eduardo é mais uma tragédia na família Magalhães
A morte prematura de Luís Eduardo não é a primeira tragédia na família Magalhães. A filha mais nova do senador Antonio Carlos, Ana Lúcia, que dirigia o jornal de propriedade da família, morreu em 1986, quando ainda não tinha 30 anos. Pouco antes, a filha mais velha, Fátima, perdia o marido subitamente. A mãe de Luís Eduardo, Arlete Maron Magalhães, venceu um câncer de mama, descoberto há quatro anos, e o próprio Antônio Carlos foi vítima de violento infarto, quando se preparava para disputar, pela segunda vez, o governo da Bahia.
No Instituto do Coração em São Paulo, ACM teve a parte necrosada do coração substituída por pele de boi e foi desaconselhado a enfrentar nova campanha eleitoral. Quando reagiu, disputou e venceu as eleições, um dos médicos que o haviam atendido no Incor avisou: Decorem o nome do vice, porque ACM não chegará ao fim do mandato. Chegou, e na eleição seguinte não apenas conquistou uma vaga no Senado como se elegeu presidente do Congresso Nacional.
ACM enfrentou adversidades também na política. Em 82, um acidente de helicóptero matou Clériston Andrade, candidado escolhido por ele para disputar o Palácio de Ondina, o seu vice e outros nove correligionários. Faltava menos de dois meses para as eleições que ACM prometeu vencer com 1 milhão de votos de vantagem. Ao receber a confirmação da morte de Clériston, às três da manhã, ele primeiro chorou muito. Depois, enxugou as lágrimas e jurou: Vou eleger o governador da Bahia, seja ele quem for, com pelo menos 500 mil votos de frente. Ungiu o desconhecido João Durval Carneiro com 580 mil, para espanto dos que o desafiaram.
Dos escombros colecionados ao longos desses anos, havia sobrado o sonho cada vez mais próximo de fazer do filho querido, Luís Eduardo - que já fora o deputado estadual mais votado da Bahia, presidente da Assembléia Legislativa aos 25 anos, deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados - o sucessor do presidente Fernando Henrique em 2002.
Com a morte de Sérgio Motta, imaginou-se que ACM se fortaleceria a ponto de ocupar no governo um espaço bem maior do que desejariam os auxiliares de FHC. Com a morte do filho, ACM não perde apenas esse espaço. Perde o direito de romper com o presidente Fernando Henrique. Quem o conhece sabe que ele jamais esquecerá que FHC interrompeu um compromisso internacional para comparecer ao enterro do filho. Leal aos que lhe foram leais, o velho cacique baiano será eternamente leal aos que foram leais ao seu filho. (AE)





