Curitiba - Morreu ontem, às 9h50, o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho. Com 68 anos de idade, Carvalhinho, como era conhecido, teve infecção generalizada dos órgãos, causada inicialmente por uma intoxicação alimentar, que evoluiu para uma gastroesterite infecciosa, que alastrou-se para outros órgãos através da corrente sanguínea.
O empresário está sendo velado desde às 14 horas na Câmara de Curitiba. Seu corpo será cremado hoje às 10 horas, no Crematório de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, e suas cinzas serão jogadas na Baía de Guaratuba, conforme era a sua vontade. O empresário era casado com a decoradora Nina Carvalho, com quem teve uma filha, Rafaela Carvalho Garcia, hoje com 18 anos. Ele também tinha outro filho, José Carlos Gomes de Carvalho Junior, de 37 anos, fruto do primeiro casamento. Deixa ainda três netos, Mateus, de sete anos; Enzo, de três; e Caetano, de dois meses.
Carvalhinho estava internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Cruz, em Curitiba, desde a tarde de segunda-feira. Ele chegou ao hospital de manhã, foi internado no quarto 302 e passou por uma bateria de exames, que logo revelaram o quadro de infecção, determinando sua transferência para a UTI. Segundo o médico infectologista, Nelson Szpeiter, diretor clínico do hospital, o empresário já deu entrada no hospital com o estado bastante alterado, vomitando, com diarréia e febre. ''A partir de segunda de manhã o quadro dele evoluiu de maneira gravíssima. Meu diagnóstico já no começo era de que havia 80% de chances de que ele não resistisse.''
De acordo com Szpeiter, a evolução do quadro clínico mostrou que ele comeu algum alimento contaminado, que causou uma gastroenterite infecciosa. As bactérias contidas no alimento e as toxinas produzidas por elas teriam lesado os vasos sanguíneos que ligam o trato intestinal aos outros órgãos. Sem irrigação sanguínea normal, os rins também pararam de funcionar. Para descobrir a causa da contaminação, os médicos colheram material do intestino grosso do empresário, para fazer uma colonoscopia, que irá determinar que substâncias existiam em seu organismo. O resultado do exame deve sair dentro de dois a três dias.
Na UTI, ele permaneceu sedado, com respiração assistida por um respirador artificial. Carvalhinho foi atendido por uma equipe de sete médicos, sendo dois infectologistas, um nefrologista, um otorrinolaringologista, um cardiologista e dois intensivistas.
Carvalhinho iria transmitir o cargo de presidente da Fiep ontem à tarde (leia sobre a posse no Caderno Economia), após oito anos à frente da entidade. Ele desistiu de disputar a reeleição, garantindo uma eleição fácil para o empresário Rodrigo Rocha Loures, dono da Nutrimental, empresa de São José dos Pinhais, na Grande Curitiba. No meio político e empresarial, já era dado como certo que o próximo passo da vida pública de Carvalhinho seria rumo à presidência da Confederação Nacional das Indústrias (CNI).
A mulher do empresário, Nani Carvalho, conta que por volta de 21 horas de segunda-feira, ela ainda conversou com o marido. ''Ele era muito organizado e precavido. Ele sempre tinha um plano A e um plano B'', disse, lembrando que o marido chegou a fazer várias recomendações de ordem pessoal, familiar e política, para o caso de lhe acontecer alguma coisa. Caso não pudesse comparecer à posse de seu sucessor na Fiep, pediu que o vice-presidente da Fiep, Artur Claudino dos Santos, assumisse a tarefa. Ele também pediu que o jornalista Carlos Marassi lesse seu discurso de transmisão, que já estava preparado.
Durante os dois dias em que o empresário esteve internado, vários empresários e políticos circularam pelos corredores do hospital. Ontem, logo após a sua morte, o movimento se intensificou.

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