Agência Estado
de Vitória
O relator da CPI do Narcotráfico para o Espírito Santo, deputado Fernando Ferro (PT-PE), disse ontem que a morte do prefeito de Cariacica (Grande Vitória), Dejair Cabo Camata (PFL), irá prejudicar as investigações da comissão no Estado. O prefeito morreu na madrugada de domingo em um acidente de carro e foi enterrado ontem de manhã em Marilândia, sua terra natal, a 200 quilômetros da capital capixaba.
A CPI deverá voltar a Vitória na segunda semana de abril e Camata estava no rol de pessoas que deveriam prestar depoimento. Em dezembro, quando os deputados estiveram no Espírito Santo, o prefeito negou-se a depor, afirmando que tinha ‘‘compromissos administrativos’’. Na ocasião, a comissão pediu a quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico de Camata, que respondia a cerca de 40 processos criminais na Justiça Federal, entre os quais improbidade administrativa, formação de quadrilha, obstrução da Justiça. ‘‘Infelizmente, com a morte dele as nossas investigações ficaram prejudicadas, porque tínhamos informações recentes do envolvimento dele com irregularidades’’, disse Ferro, que não descarta a convocação do vice-prefeito Jésus Vaz (PSD), que já assumiu o cargo.
Ontem, Vaz, que era inimigo de seu antecessor, demitiu 13 dos 15 secretários municipais, abriu os arquivos da Companhia de Desenvolvimento de Cariacica (CDC) para investigação da Polícia Federal.
À tarde, o novo prefeito visitou os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), pedindo uma ‘‘inspeção extraordinária’’ das contas do município. Cabo Camata havia sido condenado duas vezes pelo TCE, que rejeitou, por unanimidade, suas prestações de contas relativas aos exercícios fiscais de 1997 e 1998, pediu intervenção do governo do Estado na prefeitura e ainda o condenou a devolver R$ 8,8 milhões aos cofres públicos municipais.