Morte de ACM não deve provocar mudanças
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sábado, 21 de julho de 2007
Carlos Marchi<br> Agência Estado 
São Paulo - No último ano, desde as eleições de 2006, o senador Antonio Carlos Magalhães (BA) deixou de ser um vetor de permanente tensão dentro do seu partido, o DEM. Antes, ele era um dos grandes fatores de fricção, inclusive pela relação tumultuada com o ex-presidente nacional do partido, ex-senador Jorge Bornhausen (SC).
Até abril do ano passado, os dois andaram às turras e a melhor expressão disso foi a disputa para indicar o vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin - ACM queria o senador José Agripino (RN) e Bornhausen lutou, com êxito, pelo senador José Jorge (PE).
Os colegas de ACM do antigo PFL acham que, com a decepção pelo resultado eleitoral de 2006, ele, já alquebrado pela progressão da doença, acabou de perder o que lhe restava de energia. Na eleição do ano passado, pela primeira vez na história, o velho cacique baiano foi alijado dos poderes federal, estadual e municipal. Sua bancada na Câmara, que já teve mais de duas dezenas de deputados, foi reduzida a 13 - e hoje são apenas 9.
A morte de ACM, no cuidadoso e franco dizer de seus companheiros de partido, não enfraquece o DEM, porque ele já não representava a força telúrica que movia montanhas na política e, doente e sem ímpeto, perdera os seus melhores elementos para fazer política. Ademais, ACM nunca se interessou muito pelas questões nacionais, exceto as que contribuíssem para garantir e ampliar o seu espaço vital; seu grande interesse eram as questões da Bahia, das quais cuidava meticulosamente, afastando intromissões.
Figuras nacionais do DEM dizem que sua morte deixa o partido pacificado e arrumado na Bahia. Num primeiro momento, não há razões para disputas locais. O presidente regional é o ex-governador e ex-senador Paulo Souto, que ambicionava, há muito tempo, herdar o comando do DEM como sucessor natural do velho cacique. Mas todos sabem que ACM preparava o neto, Antonio Carlos Magalhães Neto, hoje deputado federal, para concorrer ao governo em 2010.
Em princípio, Souto e ACM Neto estão entendidos e acertados. ACM Neto tem grande influência em Salvador, onde é a maior figura do partido, embora sem grandes chances de concorrer à prefeitura, em 2008; já Souto é a grande expressão no interior. Se os dois souberem somar o prestígio que detêm, dizem outras figuras do DEM, poderão restaurar o prestígio do partido, embora sem sonhar com os tempos áureos comandados por ACM.
Uma importante figura do partido lembrou que nem Souto nem ACM Neto têm o estilo visceral e agressivo de ACM. Ressaltou que o isolamento político do DEM na Bahia era causado pelos problemas pessoais de ACM com outros políticos. Agora, especulam, talvez seja possível levar o DEM no Estado para alianças inéditas com outros partidos. E miram uma possível parceria com o PSDB, que terá como candidato o ex-carlista Eduardo Imbassahy. Até aqui o PSDB era rompido com o DEM na Bahia por conta de um conflito pessoal de ACM com o deputado Jutahy Júnior.


