La Paz - O ex-presidente da Bolívia Hugo Banzer, primeiro ditador latino-americano da década de 70 que voltou ao poder pela via democrática, morreu ontem aos 75 anos, de câncer cerebral.
Vinte e quatro anos depois de presidir um regime de mão-de-ferro e depois de 55 meses na liderança de um governo eleito democraticamente, Banzer morreu em sua casa na cidade de Santa Cruz, 900 km a leste de La Paz, informou seu médico particular, Freddy Terrazas.
O governo da Bolívia declarou luto nacional de 30 dias e anunciou a suspensão das atividades no dia de seu sepultamento. O ex-governante morreu cinco dias antes de fazer 76 anos e no mesmo dia do aniversário de 42 anos de seu sucessor, o presidente Jorge Quiroga.
A saúde do militar que marcou indelevelmente a história política boliviana nos últimos 30 anos começou a piorar seriamente nos últimos meses, mesmo depois que sofreu, nos Estados Unidos, entre julho e dezembro últimos, várias sessões de quimioterapia na tentativa de deter o câncer declarado em um pulmão e que depois de estendeu ao fígado e ao cérebro.
A morte acontece sete meses depois de renunciar, em agosto passado, à presidência em favor de seu sucessor constitucional, Jorge Quiroga, um jovem tecnocrata formado nos Estados Unidos.
No começo de março, no último ato público que compareceu, já bastante debilitado, Banzer se definiu como ‘‘um velho lutador, veterano da milícia e da política’’. Incapaz de ler seu discurso na ocasião, afirmou a seus correligionários, por meio de uma de suas filhas, que ‘‘não me acovardo diante de nada’’ e lembrou a bem-sucedida luta antidrogas de seu governo constitucional (1997-2001) e a erradicação de 90% da plantação ilegal da coca, destinada à fabricação da cocaína.
Banzer, que governou a Bolívia com mão de ferro (1971-78), numa década repleta de regimes militares no continente, assumiu em 1997 a presidência pela via democrática, sistema que começou a defender em 1979, depois de sete anos de ditadura.
Segundo organizaçõs de direitos humanos, durante seu regime 14.750 pessoas foram presas por idéias políticas, outras 19.140 foram exiladas e mais de 400 foram mortas, entre as quais quase uma centena de indígenas de resistiram em 1974 um duro plano de medidas econômica antipopulares.
Durante seu governo ditatorial, a Bolívia chegou a seu mais alto nível de endividamento externo: três bilhões de dólares.

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