Morre reverendo Jaime Wright, de Brasil: nunca mais
Morreu ontem, em Vitória (ES), aos 71 anos, o reverendo presbiteriano Jaime Wright, um dos autores do livro Brasil: nunca Mais, que denunciou a tortura no país na época do regime militar (1964-85). Wright sofreu um enfarto por volta das 6 horas, enquanto dormia em sua casa, no bairro Cidade Alta, região central de Vitória. O pastor tinha hipertensão arterial. Jaime Wright seria velado na Igreja Presbiteriana Unida do Ibis, em Vila Velha, onde seu genro Wilson Torres é pastor. Ele será enterrado hoje, às 9 horas, no Cemitério Jardim da Paz, em Vitória.
O reverendo era casado com Alma Wright e tinha cinco filhos. Nasceu no Brasil, mas era filho de norte-americanos (na década de 70 ele renunciaria à cidadania norte-americana). Ele estava aposentado como pastor da Igreja Presbiteriana Unida, da qual foi secretário-geral entre 1988 e 1993.
O reverendo também escrevia artigos para vários jornais brasileiros e traduzia livros para o inglês. Ele gostava muito de escrever e se considerava um jornalista, apesar de nunca ter tido formação específica, afirmou Sônia Wright, uma das filhas do pastor. De acordo com ela, Wright estava colaborando na biografia de D. Paulo Evaristo Arns, ex-arcebispo de São Paulo.
Em 1997, a Universidade do Texas (EUA), Wright reeditou Torture in Brazil, tradução feita por ele do livro Brasil: nunca Mais. Ele realmente prezava muito este aspecto de defesa da Justiça e dos Direitos Humanos. Ele não via esse trabalho como uma ação política, mas eclesial, afirmou Sônia.
O reverendo era um crítico, nos últimos tempos, do que chamava Teologia da Prosperidade, classificada por ele como o chamariz maior para a multiplicação de rebanhos e bens nas igrejas evangélicas. Segundo ele, ao promever ascensão social, estas igrejas cresciam em patrimônio.
Em um de seus últimos artigos publicados na Folha de S.Paulo, Wright escreveu que a promessa de mobilidade sócio-econômica ascendente enche velhos cinemas e teatros convertidos em templos e induz os fiéis a contribuir com seu dinheiro uma, duas, três ou mais vezes durante os cultos, garantindo-lhes a fila preferencial dos que serão aquinhoados com a prosperidade material e a ascendência social.





