Morre o senador Ramez Tebet
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domingo, 19 de novembro de 2006
João Naves<br> Agência Estado 
Campo Grande- O senador Ramez Tebet (PMDB-MS) faleceu na madrugada de sábado, vítima de infecção respiratória, após ter reação alérgica a um medicamento. Tebet fazia tratamento contra um câncer havia mais de 20 anos. Tebet cumpria seu segundo mandato como senador pelo PMDB.
Foi eleito em 1994 e, numa legislatura conturbada, na qual senadores pela primeira vez renunciaram a seus mandatos para escapar do risco de cassação, ganhou projeção nacional ao ser vice-líder do governo e presidir a Comissão de Ética do Senado. Em 2000, foi presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário.
Nomeado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso como ministro da Integração Nacional em junho de 2001, ficou no cargo só por três meses. O motivo de sua saída do Executivo foi a necessidade de assumir a presidência do Senado, após a crise que se abateu sobre a Casa por causa da sequência de renúncias de lideranças importantes.
Primeiro, foram Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o então líder do governo José Roberto Arruda (PSDB-DF), envolvidos na quebra do sigilo do painel eletrônico da casa. Depois, Jader Barbalho (PMDB-PA), que corria risco de cassação por causa das denúncias de desvio de verbas da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia).
Nas últimas eleições, mesmo fragilizado pela doença, Tebet fazia planos de engajar-se na campanha do peemedebista André Puccinelli, que venceu a eleição para governador no Mato Grosso do Sul. Mas mostrava-se desanimado com o cenário nacional. ''Não preciso fazer nenhuma afirmativa para mostrar que estamos diante de uma escalada imoral, antiética, jamais vista na República. Houvesse já nessa eleição o voto distrital misto, os candidatos teriam mais facilidades para se fazer conhecer com essas restrições'', respondeu, ao ser questionado se 2007 seria diferente. Ainda assim, deixava transparecer algum sinal de esperança. ''Acho que o exercício da cidadania no Brasil melhorou muito. O povo se mostra descrente, mas pensa em política e está desejoso de acertar.''
O congressista formou-se em Direito pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro em 1957. Era casado com Fairte Nassar Tebet, com quem teve quatro filhos - Rames Nassar, Simone, Eduarda e Rodrigo. A advogada Simone é a única que entrou na política. Eleita deputada estadual em 2002, em 2004 ela deixou a Assembléia para disputar - e ganhar - a prefeitura de Três Lagoas, que nos anos 70 foi administrada pelo pai.


