Morre o ex-prefeito e ex-governador Hosken de Novaes
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quarta-feira, 01 de fevereiro de 2006
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
O ex-prefeito de Londrina e ex-governador do Paraná, José Hosken de Novaes, 88 anos, morreu ontem às 6 horas da manhã no Hospital Mater Dei, em Londrina, onde estava internado desde setembro do ano passado. De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, um quadro de broncopneumonia e falência de múltiplos órgãos encerrou oito meses de idas e vindas ao hospital.
Novaes foi velado durante todo o dia de ontem no Tribunal do Júri de Londrina e o enterro está marcado para hoje, às 10 horas, no Cemitério Padre Anchieta (Zona Leste). A Prefeitura decretou três dias de luto.
Mineiro de Carangola, o advogado, jurista e professor chegou a Londrina com a família em 1942. Três anos depois ingressou na política e foi o sexto prefeito eleito da cidade, entre os anos de 1963 e 1969, pela União Democrática Nacional (UDN). Nesse período, fundou a companhia telefônica londrinense Sercomtel (1964), e a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), em 1965. Também exerceu os cargos de procurador-geral do Estado, secretário de Estado da Fazenda e membro da Comissão Estadual de Revisão de Terras e Consultas. Em 1982, então vice-governador, Novaes assumiu o governo no lugar de Ney Braga, que deixou o mandato para concorrer ao Senado. Foi a última vez que participou diretamente da política.
Leal, honesto, humilde e sábio são alguns dos adjetivos mais usados pelos amigos para descrever José Hosken de Novaes. A professora aposentada Rosane Pacheco Monteiro, que foi secretária de Educação durante a administração do ex-prefeito, lembra duas faces de sua personalidade: ''Ele era humilde como pessoa, mas exuberante na profissão''.
Mesmo após se afastar da política para se dedicar ao trabalho no escritório de advocacia e à docência de Direito Civil, diz Rosane, Novaes continuou sendo procurado por prefeitos e até pelo atual governador, Roberto Requião (PMDB), que buscavam conselhos. ''O governador mandou buscá-lo de avião várias vezes para conversar sobre os rumos do Estado'', conta a amiga.
De acordo com a advogada Maria Solange Utrabo, que atuou na profissão durante muitos anos com Novaes, o primeiro grande golpe na saúde do amigo foi um derrame, sofrido há cerca de quatro anos. Desde então, ele passou a ter cada vez mais dificuldades para se locomover e falar. A advogada afirma que, mesmo quando a fala lhe faltou, Novaes ainda conseguia esboçar seu sentimento em relação à política.
''Quando ele assistia às notícias na tevê, expressava, fisionomicamente, seu descontentamento com o panorama nacional'', observou. Sobre a Sercomtel, empresa com a qual não tinha mais envolvimento, Solange resume a reação do amigo: ''Ultimamente ele se sentia aborrecido com algumas coisas que aconteciam por lá''. A esposa do ex-político, Adelina Castaldi Hosken de Novaes, não deu declarações. Ela e o marido, que não tiveram filhos, moravam em uma casa da Vila Nova (Área Central), bairro simples e um dos mais antigos de Londrina.
Durante uma visita feita ao Museu Histórico de Londrina em agosto de 2003, o ex-prefeito também deixou nos funcionários a impressão de estar bastante consciente, mesmo sem falar. ''Ele chegou com o motorista e a enfermeira, passeou por toda a parte, e em vários momentos apontava para objetos, fotografias e sorria'', comenta a assessora do órgão, Bárbara Daher Belinati, lembrando que Novaes fez parte da Sociedade Amigos do Museu.
A recordação mais marcante que Bárbara guardou do ex-político, contudo, é a imagem do velho senhor de terno sentado no banco do Calçadão de Londrina. ''Vi essa cena várias vezes. O homem que chegou a governar o nosso Estado chegava por volta das 8 horas, sentava-se num banco e ficava olhando o movimento, quietinho, pensativo.'' Novaes completaria 89 anos no próximo dia 7.


