Morre na cadeia acusado de matar políticos
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terça-feira, 28 de janeiro de 2003
Equipe da Folha<br> Vânia Moreira 
Umuarama O cabeleireiro e ex-sargento da Polícia Militar José Lucas Gomes, de 45 anos, morreu sábado à tarde aparentemente vítima de um acidente vascular cerebral (derrame). Acusado de matar a tiros dois políticos de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama) Gomes estava preso na cadeia de Goioerê desde setembro do ano passado.
Gomes havia sido transferido da cadeia de Umuarama por causa de ameaças dos outros presos. O vice-prefeito Aires Domingues e o presidente do PPS de Mariluz, Carlos Alberto de Carvalho, o ''Carlinhos Gordo'', foram mortos a tiros dia 28 de fevereiro de 2001. O mandante dos crimes seria o então prefeito de Mariluz, padre Adelino Gonçalves (PMDB).
Segundo o delegado de Goioerê, Pedro Ribeiro Fontana, Gomes passou mal na sexta-feira de madrugada na cela que dividia com mais quatro presos. Foi levado para o hospital municipal, medicado e liberado.''Quando voltou para a cela, estava com todo o lado direito do corpo paralisado'', disse o delegado.
Por volta das 4 horas, segundo Fontana, o ex-PM desmaiou novamente e acabou sendo transferido às pressas para a Santa Casa de Campo Mourão, onde morreu no final da tarde. O delegado solicitou à família cópia do atestado de óbito para confirmar a causa da morte. ''Em princípio não há nada de suspeito. Ele era hipertenso e se o atestado confirmar o derrame cerebral não temos nada a apurar'', adiantou Fontana.
Gomes era de Corumbataí do Sul e estava preso desde março de 2001. Ela havia confessado os crimes e apontado o padre como mandante. Depois mudou de idéia e passou a alegar ter sido torturado para incriminar o padre. Cassado depois do crime, Adelino responde ao processo em liberdade. Dois ex-assessores de Adelino na prefeitura, Alexsandro do Nascimento e Elcio Farias, estão presos acusados de participação no crime.
Os processos contra os réus tramitam no Fórum de Cruzeiro do Oeste. Élcio Farias foi julgado em fevereiro do ano passado e condenado a 10 anos de prisão. Gomes e Alexsandro aguardavam julgamento de recurso contra a pronúncia (sentença do juiz que manda o réu à júri popular). Padre Adelino conseguiu anular o depoimento de todas as testemunhas de acusação e o processo contra ele teve de ser reiniciado.


