Arquivo FolhaCarreira interrompidaO deputado Luís Eduardo Magalhães: principal candidato do PFL à Presidência da República em 2002O líder do governo na Câmara, deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), 43, morreu ontem, por volta das 20 horas, cerca de sete horas depois de sofrer um infarto do miocárdio. No início da tarde, ele foi internado no Hospital Santa Lúcia, em Brasília. Antes de morrer, o deputado foi submetido a uma angioplastia (microcirurgia para desobstrução das artérias do coração).
O procedimento cirúrgico de emergência estava sendo coordenado pelo cardiologista Bernardino Tranchesi Jr., o mesmo que cuidou do ministro Sérgio Motta (Comunicações) até sua morte, no domingo à noite. Luís Eduardo era candidato ao governo da Bahia nas eleições de outubro próximo. Além disso, era apontado dentro do PFL como o principal pretendente do partido à Presidência da República na eleição de 2002.
A morte de Luís Eduardo foi anunciada pelo porta-voz do Senado, Fernando César Mesquita. Ao se aproximar dos jornalistas, que estavam de plantão no hospital, ele fez um sinal de negativo, com o polegar para baixo. Logo depois, diante das perguntas dos jornalistas, confirmou a morte.
O deputado sentiu-se mal depois de fazer uma caminhada. O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), pai de Luís Eduardo, disse que ele caminhou 11 quilômetros entre 11h30 e 12h30, mais do que os seis ou oito quilômetros habituais. ‘Hoje ele achou que estava mais gordo. Ele tem o hábito de andar para manter a forma, o que acho exagerado’’, disse ACM à tarde, depois da internação.
O senador Antônio Carlos Magalhães, ao comentar a saúde do filho ontem à tarde: ‘‘Sua voz estava diferente’’
O senador contou que Luís Eduardo começou a se sentir mal depois que chegou da caminhada. ‘Ele tomou café com leite, como sempre, sentiu suores e incômodo no corpo. Telefonou-me e eu percebi que a voz dele estava diferente. Ele falou que estava indo para a Câmara. Eu preferia que ele viesse para o Santa Lúcia’’, disse o senador.
ACM afirmou que o filho ficou muito emocionado com a morte do ex-ministro Sérgio Motta, enterrado ontem. ‘Todos nós sentimos (a morte de Motta), mas ele sofreu mais porque tinha uma relação maior do que nós tínhamos’’, disse.
Luís Eduardo fumava dois maços do cigarro ‘‘Charm’’ por dia. Era hipertenso e já havia passado mal quando era presidente da Câmara (95 a 97), ocasião em que médicos detectaram alta taxa de colesterol. Por recomendação médica, aos poucos ele vinha tentando administrar o uso da bebida. Trocou o uísque, que fazia subir a sua pressão, por vinho branco. Passou depois para vodca sueca e, ultimamente, contentava-se em tomar champanhe.
O deputado e médico Agnelo Queiroz (PC do B-DF), que esteve no hospital à tarde, afirmou que o infarto de Luís Eduardo foi na área do coração voltada para o diafragma, segundo lhe relataram os médicos do hospital. ‘‘A informação oficial é que foi um infarto pequeno. Em qualquer infarto o paciente corre risco de vida, porque não se sabe qual a extensão atingida’’, disse Agnelo, na saída da visita, antes da morte.
O deputado e médico Adylson Motta (PPB-RS) foi ao hospital e também confirmou o infarto do líder, que foi anunciado primeiramente pelo médico José Luiz Veloso, chefe do Serviço Médico da Câmara.
Assustado com a repercussão das declarações do médico da Câmara, confirmando a suspeita de infarto, Antonio Carlos Magalhães, presidente do Congresso, deu uma entrevista desautorizando as declarações do médico. Às 18h, Luís Eduardo já estava sendo atendido pelo médico Bernardino Tranchesi Jr. Médico da família, Tranchesi foi chamado em São Paulo por ACM.
Até as 19h30, Luís Eduardo estava sendo submetido a uma angioplastia para desobstruir as artérias e evitar uma cirurgia de emergência. ACM esperava pelo resultado do exame do filho sentado à porta da UTI.

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