O senador Humberto Lucena (PMDB-PB) morreu ontem, às 19h30, de insuficiência cardíaca. Ele estava internado no Instituto do Coração, em São Paulo, desde o dia 18 de fevereiro. O senador tinha 69 anos e completou 36 anos de vida parlamentar, entre mandatos de deputado estadual, federal e senador. Cumpria o seu terceiro mandato no Senado.
Eleito em 1994 com 21,6% dos votos válidos, assumiu sub judice: ainda estava pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) o recurso à condenação de perda do mandato imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por uso da gráfica do Senado para imprimir propaganda eleitoral. Foi salvo por uma anistia aprovada pela Câmara.
Era presidente do Senado quando foi condenado. No Congresso, tinha uma reconhecida habilidade para lidar com os meandros administrativos da casa e com os interesses dos parlamentares. Na liderança do PMDB, somou uma orientação política moderada de comando à defesa dos interesses imediatos de seus liderados.
Do ex-presidente Tancredo Neves, obteve a promessa de apoio a sua eleição para um primeiro mandato como presidente do Senado. Em 1984, no entanto, foi derrotado na disputa pelo senador José Fragelli (PMDB-MS). Reeleito em 1986, venceu o senador Nelson Carneiro (RJ), para a eleição de presidente do Senado. Na época, foi sucedido na liderança do PMDB por Fernando Henrique Cardoso, que assumiu prometendo romper com as práticas da antiga liderança.
Em 1989 enfrentou acusações de nepotismo: vários parentes seus eram funcionários do Senado. Ele defendeu-se, dizendo que eles ocupavam cargos de confiança e nenhum era funcionário estável. Em 1985, seu filho Humberto Lucena Filho foi incluído no trem da alegria feito pelo senador Moacyr Dalla, antes de sair da presidência, mas pediu exoneração devido à repercussão do caso.

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