Brasília - Vítima de acidente vascular cerebral (AVC), morreu ontem em Brasília o deputado federal Clodovil Hernandes (PR-SP), de 71 anos. Ele teve morte cerebral diagnosticada às 15h15 pelo Hospital Santa Lúcia, onde estava internado desde a manhã de segunda-feira. O corpo do parlamentar será levado amanhã em avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para São Paulo, onde será velado a partir das 11h30. O sepultamento está marcado para o final da tarde, no cemitério do Morumbi, segundo informou o líder do PR na Câmara, deputado Sandro Mabel (GO), designado pelo partido para as providências do funeral. Por razões práticas, o partido desistiu do velório previsto na Câmara e transferiu todas as homenagens para São Paulo. O suplente Jairo Paes Lira, do PTC de São Paulo, assumirá a vaga do deputado.
Clodovil passou mal na madrugada de segunda-feira e foi socorrido por uma equipe do Departamento Médico da Câmara pouco depois das 7h, após ser encontrado desmaiado, ao lado da cama, em seu apartamento em Brasília. Na ausência de familiares, a doação de órgãos do parlamentar foi autorizada pela Promotoria de Justiça, após o consentimento de assessores e pessoas próximas a ele.
No hospital, onde chegou por volta das 8h, o deputado foi submetido a drenagem de sangue do cérebro por meio de um cateter. Mas seu estado de saúde se agravou consideravelmente após uma parada cardiorrespiratória de cinco minutos, ainda na tarde da segunda. Clodovil entrou em coma profundo, de nível três, o mais grave e os médicos advertiram que sua situação era extremamente complicada, principalmente porque ele já havia sofrido um AVC em 2007, do qual trazia sequelas.
No boletim divulgado pela manhã, a equipe médica que atendeu o deputado já dizia que o quadro clínico dele era de ''extrema gravidade''. Desde cedo, Clodovil passou por exames que ajudaram a detectar a morte cerebral. No primeiro, o resultado foi ''inconclusivo'', mas a situação se agravou ao longo da tarde. Às 19h, o coração do deputado parou de bater e ele foi oficialmente declarado morto.
Com base em laudo médico emitido pouco depois da morte cerebral, uma equipe retirou a córnea, os rins, o fígado e o coração do deputado para doação, mas a viabilidade do transplante seria avaliada durante a madrugada. A assessora do deputado confirmou que ele havia várias vezes manifestado a intenção de doar seus órgãos após a morte.
Terceiro deputado mais votado de São Paulo, Clodovil obteve 493 mil votos, ficando atrás apenas de Paulo Maluf (PP-SP, com 739 mil) e Celso Russsomano (PP-SP, com 573 mil). Agora, a vaga de Clodovil na Câmara ficará com Jairo Paes de Lima (PTC-SP).
Na semana passada, ele havia obtido uma vitória no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao ser absolvido da acusação de infidelidade partidária - por ter trocado o PTC pelo PR em setembro de 2007, com a alegação de sofrer ''grave discriminação pessoal''.
No seu primeiro discurso como deputado, em fevereiro de 2007, chamou a Câmara de ''mercado'' por causa do barulho e o então presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), de ''mal-educado''.

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