Agência Estado
De São Paulo
O empresário Calim Eid, um dos maiores articuladores das campanhas de Paulo Salim Maluf, morreu sábado de acidente de carro na Rodovia Ayrton Senna, quando retornava de Campos do Jordão para São Paulo, às 14h45. Com 77 anos de idade, casado e quatro filhos, Eid era uma das pessoas mais próximas de Maluf, com quem mantinha estreita amizade desde a década de 70, quando o ex-prefeito era presidente da Associação Comercial de São Paulo.
Eid trafegava pelo quilômetro 21 da Ayrton Senna, sentido São Paulo, quando o automóvel, um Citroen, capotou e caiu no canteiro. Segundo a Polícia Rodoviária, a causa do acidente foi perda de controle do veículo, seguida de capotamento no canteiro da rodovia, em Guarulhos. O empresário morreu no local do acidente antes do socorro chegar.
Ao saber da morte do amigo, o ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, decidiu retornar a São Paulo. Ele também estava em Campos do Jordão, onde ambos possuem casas de veraneio.
Segundo assessores, Eid, que viajava sozinho, pretendia chegar em São Paulo a tempo de almoçar com familiares. O empresário era casado com Odete, uma artista plástica. Eid foi chefe de gabinete enquanto Maluf foi governador de São Paulo, entre 1979 e 1983. Posteriormente, ele assumiu como tesoureiro das campanhas de Maluf. Ele foi proprietário de uma rede de supermercados, vendida há alguns anos. Atualmente, atuava como empresário franqueado da Brahma, na região de Campinas.
‘‘Ele era um homem de bem, um político sério, estou muito triste’’, disse o ex-prefeito Paulo Maluf. Confidente, amigo particular, Eid era um dos poucos a tratar Maluf por ‘‘Paulo’’, eliminando o reverencial ‘‘doutor’’, usado pela maioria.
Entre os episódios em comum, há muitos polêmicos. Um deles foi a denúncia do então deputado Mário Juruna de que Maluf teria tentado comprar seu voto, na disputa com Tancredo Neves, em 1985, no Colégio Eleitoral. O emissário da proposta teria sido Eid.
O empresário também foi um dos principais responsáveis pela escolha de Celso Pitta como candidato do PPB a prefeito de São Paulo, em 1996. Defendeu com veemência o nome de Pitta, então secretário municipal das Finanças. ‘‘Via grandes qualidades no rapaz’’, disse o empresário numa entrevista, em 1996.
Eid fez a indicação três anos após cair em desgraça por ver seu nome envolvido no caso Paubrasil. O empresário foi considerado pela Procuradoria da República o ‘‘mentor intelectual’’ do esquema de arrecadação de doações clandestinas, por meio da empresa Paubrasil, para as campanhas de Maluf em 1990 e 1992.
Recentemente, sua filha Vilma Eid foi acusada de ter sido beneficiada no contrato firmado entre a Anhembi Turismo e a ARM Áudio Instalações para executar serviços de som do carnaval de São Paulo.

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