Morre de câncer, aos 54 anos, senador Kleinubing
O senador Vilson Kleinubing (PFL-SC), vice-líder do governo no Senado, morreu ontem de manhã no Hospital da Caridade, em Florianópolis, aos 54 anos. Ele tinha câncer nos pulmões, doença que vinha tratando há dois anos, e enfrentava o processo da quimioterapia como tentativa de reversão. Vários senadores, como o presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), deslocaram-se ontem à tarde para Santa Catarina a fim de acompanhar o velório e enterro, hoje, do ex-companheiro.
Conhecido pela sua preocupação com as contas públicas, Kleinubing desaparece do cenário político justamente no momento em que o governo decidiu deflagrar um programa de ajuste fiscal e de corte de gastos. Sua proposta mais famosa foi aprovada no ano passado pelo Congresso, mas acabou não sendo levada à prática.
Por um projeto seu, todos os recursos arrecadados com privatizações estaduais deveriam ter pelo menos metade do seu total destinados para o pagamento de dívidas públicas desses estados. A chamada Lei Kleinubing foi aprovada pelo Congresso mas teve sua validade suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que acatou recurso apresentado por vários governadores.
Os que resistem à Lei Kleinubing alegam que ela fere o princípio federativo de autonomia dos estados. Com a proximidade das eleições, os governadores queriam ter todos os recursos provenientes das privatizações disponíveis para obras. Kleinubing era contra essa idéia. Achava que um Estado não poderia fazer novas dívidas enquanto não conseguisse um equilíbrio de caixa. O Supremo suspendeu o valor da lei provisoriamente e até hoje o mérito da questão não foi decidido.
A defesa das contas públicas levou Kleinubing a desvendar um dos maiores escândalos financeiros da última década no Brasil, o dos precatórios. O caso mostrava que governadores e prefeitos emitiam e negociavam irregularmente títulos públicos de estados e municípios.
O escândalo envolveu diretamente políticos famosos como o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PPB), o governador de Santa Catarina, Paulo Affonso Vieira (PMDB), o então governador de Alagoas, Divaldo Suruagy (PMDB), e o governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB). Com as investigações, descobriu-se a atividade irregular de várias empresas corretoras e de bancos. O escândalo também fez com que Congresso e governo passassem a procurar novos mecanismos de controle sobre emissão e negociação de títulos dentro do mercado.
Kleinubing tinha ainda mandato a cumprir como senador até 2003. Nascido na cidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul, em 9 de setembro de 1944, o senador formou-se em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Depois, fez curso de pós-graduação em Engenharia Econômica, Administração de Empresas e Finanças Industriais pela Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis.
O político foi eleito deputado federal em 1982 e, no ano seguinte, acabou nomeado secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento, em Santa Catarina. Cinco anos depois, elegeu-se prefeito de Blumenau. Em 1990, foi eleito governador de Santa Catarina ainda no primeiro turno. Em 1995, conseguiu eleger-se para seu primeiro mandato como senador. No seu lugar assume Geraldo Althoff, empresário do Sul de Santa Catarina.
O vice-presidente Marco Maciel representará o presidente Fernando Henrique Cardoso no sepultamento hoje do corpo do senador Vilson Kleinubing em Florianópolis. A informação foi prestada pela Assessoria de Imprensa da Presidência da República.Arquivo FolhaLutadorKleinubing: defesa das contas públicasMarcelo de Moraes
Agência Estado





