Manaus - Vítima de um enfarte fulminante, o senador Jefferson Péres (PDT) faleceu ontem, por volta das 6h10, em sua residência, no bairro Adrianópolis, em Manaus. O corpo do senador será sepultado no cemitério São João Batista, que fica no mesmo bairro onde o senador morava. O horário do enterro, marcado para hoje, dependia da chegada de um dos filho dos parlamentar, Rômulo Péres, que estava nos Estados Unidos a passeio, juntamente com a esposa. No lugar de Péres assume o ex-vereador e ex-secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico Local de Manaus, Jéferson Praia.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto acompanhou Péres em sua última viagem de Brasília para Manaus. Segundo Virgílio, durante o vôo os dois conversaram sobre política, filmes e literatura. ''Foi um nome que o Amazonas doou para o País. Uma referência de ética e de moralidade'', lamentou o senador. Em nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também lamentou a morte de Péres. ''Jefferson Péres foi um político que sempre pautou suas ações pela defesa intransigente da democracia e da ética. Sempre procurou guiar-se pelo que julgava ser o interesse público, mesmo nos momentos de divergências com o governo. É uma grande perda para o Brasil, para a Amazônia e para o Senado brasileiro'', diz Lula na nota.
Jefferson Péres morreu decepcionado com a política e seus sucessivos escândalos de corrupção. O senador, que tinha a ética como uma de suas principais bandeiras, já havia anunciado que não mais se candidataria. Apenas pretendia exercer até o fim, em 2011, seu atual mandato. Franco, duro, exigente, probo e profundamente ético eram os adjetivos mais usados, até mesmo por seus opositores, para referir-se a Péres. Formado em Direito e Administração, ingressou na carreia política em 1988, quando foi eleito, pela primeira vez, vereador em Manaus. Quatro anos depois foi reeleito e em 1995 estreou no Senado. Atualmente, era líder do PDT, partido do qual é integrante desde 1999, na Casa.
Profundo conhecedor das leis, Péres era integrante de uma das mais prestigiadas comissões do Senado, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e do Conselho de Ética. Neste colegiado, se destacou ao relatar o processo de cassação do ex-senador Luiz Estevão. No ano passado, Péres comprou briga com o então presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Foi um dos primeiros senadores a se dirigir ao peemedebista e recomendar seu afastamento até que todas as irregularidades fossem apuradas. Acabou sendo relator do terceiro processo contra Renan no Conselho de Ética. E recomendou a cassação do colega por uso de ''laranjas'' para comprar emissoras de rádio em sociedade com o usineiro João Lyra.

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