Morre Aníbal Khury
Leandro Donatti
De Curitiba
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), morreu ontem em Curitiba, aos 75 anos, vítima de falência total dos órgãos. O coração do homem mais poderoso da política do Paraná parou às 7h35, depois de sucessivas tentativas da equipe médica de reanimá-lo. A paralisação gradativa das funções vitais foi desencadeada há uma semana, quando Aníbal Khury foi surpreendido por uma hemorragia digestiva. Do intestino, o comprometimento metabólico se ampliou para o coração e para os rins.
Boletim médico divulgado ontem pela manhã pelo Hospital Santa Cruz, onde o deputado estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde sexta-feira, confirma que o diabetes, excesso de peso e a fragilidade coronariana do deputado foram complicadores do quadro. Era um paciente idoso, portador de obesidade mórbida, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, insuficiência coronariana, recém-submetido a angioplastias e stents coronarianos, entre outras comorbidades, consta no último boletim divulgado.
O quadro clínico de Aníbal Khury era tido como muito grave. Na madrugada de domingo para segunda-feira, a situação se complicou. Insuficiência renal aguda obrigou o deputado a se submeter à hemodiálise (filtração do sangue). Quando a produção de urina estabilizou-se, a equipe médica passou a combater redução gradativa nos batimentos cardíacos. Medicamentos utilizados pela junta médica não fizeram efeito. Todos os cuidados intensivos passaram a não responder às medicações ao ponto de o paciente falecer nesta manhã, informou o boletim médico.
O deputado não resistiu às 72 horas do pós-operatório. O prazo vencia ontem ao meio-dia. Aníbal Khury foi submetido à cirurgia de retirada do intestino grosso na manhã de sexta-feira. Desde então, o intestino delgado respondia pela evacuação. A equipe médica informou que não havia ainda sinais de infecção hospilatar, apesar do estado de saúde do presidente da Assembléia estar bastante debilitado. O quadro clínico de Aníbal Khury foi bastante oscilante na quase uma semana em que ficou internado na UTI do Santa Cruz. O momento mais delicado, depois da morte confirmada, foi o enfarte sofrido na tarde de sábado.
A família Khury tinha esperanças de uma recuperação lenta e gradual, apesar de algumas previsões médicas darem conta de que o deputado não dispunha mais de 30% de chances de restabelecimento. A notícia do agravamento do processo veio por volta das 5h30. Dona Niva Khury, a mulher do deputado, descansava no quarto 104 do Santa Cruz, com a nora Jandirinha Khury. Os dois filhos e os netos de Aníbal Khury foram chamados às pressas e chegaram na UTI cerca de 30 minutos mais tarde. Os médicos conseguiram manter o organismo do deputado em funcionamento até as 7h35, quando foi declarada a falência total dos órgãos e sistemas de Aníbal Khury.
A morte do presidente da Assembléia estava consumada depois de seis dias de agonia e incertezas. Os médicos paulistas Raul Cutait e Paulo Ayroza, especialistas do Hospital Sírio Libanês, que acompanharam o tratamento de Aníbal Khury em Curitiba, também assinaram o laudo explicando as causas da morte. Além deles, João Batista Marchesini (gastroenterologista), Gilson Yared (cardiologista) e Renato Valente Almeida (nefrologista).
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, não foi o único político de expressão que passou pelo Hospital Santa Cruz, em Curitiba. Nesse mesmo hospital, que tem 33 anos de fundação, foram internados e morreram os ex-governadores Bento Munhoz da Rocha, em 12 de novembro de 1978, e Parigot de Souza, em julho de 1973. No caso de Parigot de Souza, dias antes de morrer, ele ainda despachava como se o leito hospitalar fosse seu gabinete. Em todas essas situações, o Santa Cruz viu sua rotina se alterar da noite para o dia.
Desde que deu entrada no hospital, na terça-feira da semana passada, Aníbal Khury provocou uma verdadeira romaria pelos corredores do Santa Cruz. Políticos e amigos fizeram sucessivas visitas aos familiares do deputado para dar consolo ou para buscar informações. As visitas foram desde os anômimos assessores da Assembléia até o governador Jaime Lerner e família.
O diretor-geral e fundador do Santa Cruz, Hamilton Leal, garante que a estrutura de trabalho não mudou, com exceção de um segurança que foi colocado na porta de entrada do hospital. Ele assegura que nenhum paciente deixou de ser atendido como deveria por causa do internamento do deputado. O hospital estava com as suas 150 vagas preenchidas e ontem foram feitas outras 40 cirurgias, segundo Leal. Amanhã (hoje) pela manhã teremos um novo paciente na UTI, onde estava o deputado. A vida continua, comentou Hamilton Leal.
No Santa Cruz, foi reservada a suíte 104 para acomodar a família Khury, que, na opinião do diretor-geral do hospital, teve um comportamento exemplar, apesar do triste momento que vivia. Eles foram de uma tolerância, polidez e de uma educação extrema que nos deixou comovidos, afirmou Leal, garantindo que em nenhum momento fizeram exigências ou reclamaram de algo. Dona Niva, mulher do deputado, permaneceu no hospital durante todo o tempo de internamento. (Colaborou Carmem Murara)
Também participaram da repercusão da morte de Aníbal Khury os repórteres Pedro Livoratti e Lino Ramos, de Londrina), Paulo Pegoraro, de Cascavel, Lucinéia Parra, de Maringá e Lucio Flavio Moura, de Foz do Iguaçu.





