Morosidade do Estado angustia presidente
Brasília- Menos de dois meses no poder e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está ''angustiado'' com a lentidão do Estado em resolver a questão social, segundo relatos da cúpula da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em audiência anteontem, no quarto andar do Palácio do Planalto, os bispos preocuparam-se com a saúde do presidente diante de tanta aflição.
''Notei angústia, até um pouco demais: ele nem parava quieto na cadeira, mexia-se, agitava-se, contando casos concretos, vivos e criticando até liderança muito próxima dele'', comentou o presidente da CNBB, d. Jayme Chemello. ''É até perigoso para a saúde dele'', endossou o vice-presidente da entidade, d. Marcelo Cavalheira.
Os bispos perceberam que a aflição de Lula vem da vontade de resolver as dificuldades e mostrar resultados. ''Não é para a glória própria, mas para o povo'', assegurou o vice-presidente. Já d. Jayme observou que a preocupação de Lula não era a de um intelectual que analisa a situação com base em números, mas a de um homem que sente na pele a demanda que vê.
No encontro com a CNBB, Lula mostrou-se chocado e emocionado ao contar que, na favela de palafitas em Recife - onde esteve com os ministros no início do governo -, uma grávida caiu em cima de uma estaca que lhe perfurou a barriga matando o bebê.





