O ex-juiz federal e ex-ministro Sergio Moro anunciou nesta quarta-feira (10) sua filiação ao Podemos, e, em um discurso com tom de candidato à Presidência, defendeu o legado da Lava Jato e atacou Jair Bolsonaro, de quem teria sofrido boicote, além do ex-presidente Lula, a quem condenou e prendeu, o retirando da corrida presidencial de 2018.

Imagem ilustrativa da imagem Moro se filia ao Podemos e ataca Bolsonaro e PT em discurso de candidato
| Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

"Chega de corrupção, chega de mensalão, chega de petrolão, chega de rachadinha, chega de orçamento secreto. Chega de querer levar vantagem em tudo e enganar o povo brasileiro", discursou Moro para um auditório com cerca de 700 pessoas.

Moro, que sempre repetiu que nunca entraria na política e cuja filiação serve para reavivar o lava-jatismo, dessa vez foi direto em assumir o figurino de político e candidato à Presidência. "Esse não é um projeto pessoal de poder, mas sim um projeto de país. (...) Se, para tanto, for necessário assumir a liderança nesse projeto, meu nome sempre estará à disposição do povo brasileiro. Não fugirei dessa luta, embora saiba que será difícil."

Apesar de tentar passar a imagem de que sua candidatura não terá como foco único o combate à corrupção, a maior parte da fala do ex-juiz e as peças de publicidade apresentadas no evento seguem a linha de tentar recuperar a credibilidade da extinta operação.

Nessa linha, sugeriu a criação de uma corte nacional anticorrupção, a exemplo de outros países, e mirou a classe política, defendendo o fim do foro privilegiado e da reeleição.

O ex-juiz demonstrou certo nervosismo no início de seu discurso, lido em um teleprompter, e arrancou risos ao dizer que muitos criticam a sua voz. "Não sou bom para discursar, mas sou alguém em que vocês podem confiar."

Para além das questões de corrupção, o ex-ministro de Bolsonaro esboçou algumas propostas: criticou a gestão da pandemia, defendeu liberalismo na economia, com privatizações de estatais ineficientes, expansão do ensino integral, mas também abordou questões caras à esquerda, como a pobreza e o meio ambiente.

O ex-juiz propôs, por exemplo, em analogia à Lava Jato, a sua primeira "operação especial", a criação de uma "Força-Tarefa de Erradicação da Pobreza".

Ao mesmo tempo em que reconheceu a relevância de programas de transferência de renda, condenou o furo do teto de gastos.

"Mesmo quando se quer uma coisa boa, como esse aumento do Auxílio-Brasil ou do Bolsa-Família, que são importantes para combater a pobreza, vem alguma coisa ruim junto, como o calote de dívidas, o furo no teto de gastos e o aumento de recursos para outras coisas que não são prioridades."

Moro também falou em bandeiras do bolsonarismo, pregando ser preciso "proteger a família brasileira" contra a violência, a desagregação e as drogas, e defendeu a valorização dos militares. "As Forças Armadas pertencem ao povo brasileiro, não ao governo."

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