Moro reforça prisão após informações da Suíça
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sexta-feira, 24 de julho de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba Baseado em novos documentos apresentados pelas autoridades suíças e encaminhados até a Justiça Federal do Paraná pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), o juiz Sérgio Moro decretou ontem nova prisão preventiva dos executivos ligados à Odebrecht investigados na Operação Lava Jato. Todos já estão presos preventivamente desde 19 de junho, por decisão de Moro. O novo pedido de prisão esvazia os pedidos de habeas corpus que estão em andamento em instâncias superiores, pedindo a soltura dos empresários, e obriga a defesa da empreiteira a entrar com novos habeas corpus.
De acordo com despacho do juiz, surgiram novos elementos que reforçam a relação entre a empreiteira e o pagamento de propinas no exterior a ex-dirigentes da Petrobras. "A prova material corrobora a declaração dos agentes da Petrobras que confessaram os fatos, como Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco. Rigorosamente, a prova documental até torna desnecessário o próprio depoimento dos colaboradores como prova", apontou Moro. "Pela prova vinda do exterior se constata que, para o pagamento de propinas, foram utilizados recursos de outras empresas do Grupo Odebrecht, como a Construtora Norberto Odebrecht, Osel Odebrecht, Osela Angola Odebrecht e CO Constructora Norberto Odebrecht, o que também remete a responsabilidade ao controlador do grupo", completou Moro.
Na decisão, o juiz sustenta que, além da prova material dos crimes de cartel, ajuste de licitações, corrupção e lavagem de dinheiro, há diversos elementos que apontam a autoria dos crimes, no âmbito da Odebrecht, recairia sobre os investigados Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, Rogério Santos de Araújo, Márcio Fária da Silva, Cesar Ramos Rocha e Marcelo Bahia Odebrecht.
"Muito embora as preventivas anteriormente decretadas permaneçam hígidas e válidas, o fato é que desde a decretação da prisão preventiva surgiram diversos elementos probatórios novos que recomendam a revisão do decidido. Embora os elementos constantes naquela decisão justifiquem, por si só, a preventiva, a medida vem sendo impugnada nas instâncias recursais, então justifica-se nova deliberação judicial, tendo presente os elementos novos", justificou o magistrado.
A Odebrecht era beneficiária e controladora, segundo as investigações, das contas em nomes das empresas offshores Smith & Nash Engineering Company, Arcadex Corporation, Havinsur S/A, Golac Project, Rodira Holdings e Sherkson Internacional. O dinheiro saía dessas contas diretamente para contas secretas mantidas pelos ex-dirigentes da Petrobras Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, Renato Duque, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada, também no exterior. Em algumas transferências, de acordo com o que escreveu Moro, a propina passava ainda por uma conta intermediária antes de chegar ao destinatário final. A procuradoria-geral da Suíça está investigando repasses suspeitos feitos pela Odebrecht em contas de bancos locais.
Conforme Moro, foi possível verificar que a Odebrecht teria realizado depósitos nas contas dos dirigentes da Petrobras de duas formas. Diretamente, pela utilização de contas em nome das off-shores Smith & Nash Engeinnering Company, Arcadex Corporation e Havinsur S/A, das quais é a beneficiária econômica final e, portanto, controladora, com transferências diretas para contas controladas por dirigentes da Petrobras. E, indiretamente, em outras movimentações financeiras mais elaboradas envolviam um intermediário.
Foram rastreados depósitos da Golac Project, da Rodira Holdingse da Smith & Nash, das quais a Odebrecht também é beneficiária, em nome da off-shore Constructora International Del Sur. No mesmo período, diz a investigação, o dinheiro saiu da Constructora Del Sur para contas em nome das off-shores Quinus Service, de Paulo Roberto Costa; Pexo Corporation e Blue Sky Global, de Pedro Barusco; e Milzart, atribuída a Renato Duque. Já as contas em nome das off-shores Sherkson International, Smith & Nash e Golac Project realizaram depósitos para a off-shore Klienfeld Services. Na mesma época, saiu dessa conta dinheiro para Paulo Roberto e Barusco. Jorge Luiz Zelada recebia por meio da conta Tudor Advisor, enquanto Cerveró era beneficiário da Forbal Investment, de acordo com o despacho de Moro. Completam a lista de movimentações financeiras a análise de depósitos que saíram de Golac Project e Rodira Holdings em favor da off-shore Innovation Research. Essa empresa realizou transferências para contas controladas por Paulo Roberto, Barusco e Zelada.


