Moro pede apoio da opinião pública para a Lava Jato
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terça-feira, 29 de março de 2016
Bela Megale<br>Folhapress 
São Paulo - No seminário em que fez paralelos entre as operações Lava Jato e Mãos Limpas, que investigou o sistema de corrupção da Itália da década de 90, ontem, em São Paulo, o juiz Sérgio Moro convocou setores da sociedade a se engajar no combate à corrupção. "A Justiça tem um papel nesses processos relativo à corrupção, mas ela, sozinha, não resolve. É preciso que as outras instituições operem. A sociedade civil precisa se mobilizar para cobrar, as empresas privadas precisam se auto-organizar para evitar pagamentos de corrupção", disse Moro, que afirmou ser esse o motivo por ter aceitado fazer algumas palestras em empresas.
O juiz deu o recado de que é necessário contar com o apoio da opinião pública para que a operação não pare e refutou teorias que defendem que a eleição de Silvio Berlusconi na Itália seja um produto da Operação Mãos Limpas. "É um exagero falar que um causou o outro", disse Moro. "Será que a situação na Itália estaria melhor se não tivesse havido a Mãos Limpas? Não acredito", emendou. Moro também disse que a corrupção tende a piorar se não for enfrentada e enfatizou que não enfrentá-la "não era uma alternativa jurídica". "O problema é que houve a reação política [de Berlusconi] e a democracia italiana não foi forte suficiente". O juiz ainda disse que a Itália já fechou sua história, que "no Brasil ainda está em aberto, esperando seu final". Apesar disso, reiterou que os envolvidos na Itália continuam trabalhando contra a corrupção e finalizou afirmando que "não existe nenhuma batalha encerrada".
A maioria dos palestrantes alertou sobre o risco da reação política poder blindar agentes corruptores. "Os advogados dos investigados devem estar se articulando para fazer alterações legislativas muito perigosas", disse o o promotor Justiça do Paraná Rodrigo Régnier Chemim Guimarães, citando como exemplo a lei de repatriação de recursos aprovada pelo governo federal. Já o procurador da força-tarefa da Lava Jato Paulo Roberto Galvão afirmou que seria "teoria da conspiração" acreditar que todos os órgãos que investigam a Lava Jato estejam focados no PT. "A gente nunca disse que a corrupção não ocorreu em outros lugares, mas somos órgãos de investigação federal", disse.


