Moro pede ao BC dados sobre remessas de off-shores no exterior
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quarta-feira, 29 de julho de 2015
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba Atendendo um pedido feito pelos procuradores da força-tarefa da Lava Jato, o juiz federal Sérgio Moro encaminhou ofício ao Banco Central (BC) solicitando informações sobre as transações financeiras realizadas por nove contas de empresas off-shore localizadas no exterior entre 1º de janeiro de 2003 a 31 de março de 2015. Tais contas teriam sido usadas pela Odebrecht, investigada na 14ª fase da Operação Lava Jato, para pagamento de propinas a ex-diretores da Petrobras.
Os dados solicitados por Moro são referentes às seguintes off-shores: Smith & Nash Engineering Company, Arcadex Corporation, Golac Projectand Construction Corporation, Rodira Holdings Ltda., Hanvisur S/A, Sherkson Internacional, Klienfeld, Innovation e Constructora Internacional Del Sur. O período de análise das movimentações financeiras feito pelos procuradores coincide com o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Moro já havia se manifestado sobre essas contas em despacho da semana passada, quando deferiu novo pedido de prisão preventiva contra os executivos da Odebrecht. "Embora a quebra de sigilo bancário na Suíça tenha sido efetuada, como é próprio, com base na lei daquele país e motivada por investigações próprias, é o caso de salientar que a quebra também é compatível com a legislação brasileira, havendo amplas justificativas para a quebra de sigilo bancário de contas a partir das quais partiram direta ou indiretamente créditos para contas em nome de off-shores controladas por Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, Renato Duque, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada", ressaltou ele.
Conforme a denúncia apresentada pelo MPF e já aceita pela 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, o dinheiro de propina saía de contas de empresas do grupo Odebrecht (Construtora Norberto Odebrecht S/A (CNO); Osel Angola DS; Odebrecht Serviços no Exterior Ltd.; e Osel-Odebrecht Serviços no Exterior), localizadas nos Estados Unidos e República Dominicana, e passava por três níveis de lavagem, até chegar às contas controladas pelos ex-dirigentes da Petrobras. Delas, os diretores da estatal retiravam o dinheiro da vantagem indevida.
Essas empresas em nome da Odebrecht passavam recursos para off-shores que tinham como reais donos a própria empreiteira (Smith & Nash Engineering Company; Arcadex Corporation; Golac Projectand Construction Corporation, Hanvisur S/A e Sherkson Internacional) e, a partir dessas contas, os valores seguiam para contas administradas pelos agentes públicos. Por vezes, ao invés do dinheiro seguir diretamente para as off-shores dos ex-dirigentes da Petrobras, ele passava por um "caminho alternativo", ou seja, era encaminhado por contas de passagem ou "ontas-elo" (Klienfeld, Innovation, Rodira Holdings Ltda. e Constructora Del Sur), intermediárias, para aí sim aportar as contas dos agentes públicos.
"As off-shores são como um refinamento do laranja ou testa-de-ferro, um modo sofisticado de lavar dinheiro, um método reconhecido internacionalmente como uma tipologia de lavagem de ativos, para ocultar quem é o real titular dos valores", explicou o procurador e coordenador da Lava Jato no Paraná, Deltan Dallagnol.
Informações repassadas pelas autoridades suíças e levantadas pela força-tarefa do MPF apontam que as transações financeiras realizadas entre as contas das empresas do grupo Odebrecht, as off-shores que estão em nome da empreiteira no exterior, off-shores intermediárias e contas controladas pelos ex-dirigentes da Petrobras, chegaram ao montante de US$ 1,038 bilhão entre 2006 e 2014. Os procuradores identificaram que essas contas são de off-shores localizadas em pelo menos oito países: Suíça, Uruguai, Mônaco, Áustria, Belize, Ilhas Virgens, Panamá e Antígua e Barbuda.
Análise já feita até agora aponta que na conta da Smith e Nash foram movimentados (entre depósitos e saídas) US$ 118,5 milhões; na Golac, US$ 121,3 milhões; na Arcadex, US$ 27,2 milhões; na Havinsur S/A, US$ 565 mil; na Sherkson Internacional S/A, US$ 82,6 milhões; na Klienfeld, US$ 119,8 milhões; na Innovation Research,
US$ 7,5 milhões e na Constructora Del Sur, US$ 50,1 milhões. Ainda não foram divulgadas as transações financeiras nas contas da off-shore Rodira Holdings Ltd.
Por meio de notas oficiais, a assessoria da Odebrecht vem negando que tenha feito pagamentos a diretores da Petrobras.


