Moro mantém liderança ao governo, aponta pesquisa Quaest
Requião Filho e Rafael Greca aparecem empatados em segundo lugar; avaliação positiva de Ratinho Junior e indecisos podem favorecer Sandro Alex
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segunda-feira, 27 de julho de 2026
Requião Filho e Rafael Greca aparecem empatados em segundo lugar; avaliação positiva de Ratinho Junior e indecisos podem favorecer Sandro Alex
Curitiba - O senador Sergio Moro (PL-PR) apareceu mais uma vez à frente na disputa pelo governo do Paraná para as eleições de outubro. A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (27) mostra o Moro na liderança em todos os cenários de primeiro e segundo turno. Requião Filho (PDT) e Rafael Greca (MDB) aparecem empatados tecnicamente na segunda colocação. Apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD), Sandro Alex (PSD) fica em quarto lugar.
A pesquisa consolida a posição de Moro, que chegou a 40% em um dos cenários de primeiro turno, e aumenta a responsabilidade de Ratinho Junior de transferir votos para Sandro Alex – segundo a Quaest, a gestão atual tem aprovação de 81% do eleitorado (13% desaprovam e 6% não responderam).
“A aprovação do governo é alta e se mantém estável e Sandro Alex ainda é pouco conhecido. Vai depender de como a máquina do estado e o Ratinho Junior irão trabalhar a favor dele”, diz a cientista política Karolina Roeder, professora na Uninter e pesquisadora do INCT ReDem (UFPR). “Historicamente, no Paraná os governadores se reelegem e não fazem sucessor. Eu acho que esse será o caso, pois o Sandro Alex teria que ultrapassar quatro candidatos que estão na sua frente, é mais improvável que isso aconteça. Mas há um volume muito grande de indecisos ainda e em média 60% dos eleitores disseram que podem mudar de voto. Ainda tem muito chão pela frente.”
A pesquisadora destaca que os cenários sem Rafael Greca não mostram uma transferência de votos para o candidato governista. “Aprovação de governo não se transfere automaticamente para intenção de voto em candidato. Nos três cenários testados para o primeiro turno, Sandro Alex aparece com apenas 7%, 8% e 9%, crescendo ligeiramente conforme Rafael Greca é retirado do cenário”, afirma. “É um patamar muito baixo, bem atrás de Sergio Moro (39-40%) e Requião Filho (18-24%), e mesmo atrás de Rafael Greca (12%) nos cenários em que ele concorre. No segundo turno hipotético, Sandro Alex também aparece em posições fracas: 17% e 18% contra Moro e 18% e 20% contra Requião Filho”.
Para Karolina Roeder, a aposta do PSD é no potencial de desempenho. “Para que a aprovação de Ratinho vire voto em Sandro Alex, o governador provavelmente precisará de uma participação mais direta e prolongada na campanha, não apenas o apoio formal, mas exposição conjunta constante, algo que os dados de julho ainda não capturam plenamente porque a candidatura de Alex segue pouco conhecida.”
O cientista político e professor da PUC, em Londrina, Mário Sergio Lepre avalia que os números consolidam o nome de Sergio Moro. “Isso é visual hoje, ele tem esse voto que vai levar para a campanha. É a campanha é que vai mexer no tabuleiro”, afirma. “O Sandro Alex terá uma ‘caminhão de tempo’, é a tentativa de transferência de votos. Por mais que tenha o nome do governador já sendo colocado, o eleitor não tem essa noção.”
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FATOR GRECA
O cenário da pesquisa sem Rafael Greca mostra que Sergio Moro pode ser eleito no primeiro turno, apesar da maior parte de seus votos migrarem para Requião Filho, que passa do patamar de 18% e 19% nas outras simulações para 24%. Greca vem sendo procurado pelo PL de Moro e pelo PSD de Ratinho Junior, mas garante que terá sua candidatura oficializada no próximo domingo (2), durante a convenção estadual do MDB, em Curitiba.
“O papel de Greca no primeiro turno é justamente o de fiel da balança, e os dados confirmam essa leitura. Com ele no páreo, Moro trava e Sandro Alex fica no piso. Quando ele sai do cenário, quem mais cresce não é a direita, é Requião Filho, sinal de que o eleitorado de Greca não é só de centro-direita e também compete com a esquerda por uma fatia de eleitores. Isso fica claro também na parte da pesquisa que mostra que o eleitorado de Greca é de esquerda não lulista”, diz Karolina Roeder.
Para ela, a participação de Greca pode evitar uma vitória de Moro no primeiro turno. “Se Greca sair candidato pelo MDB, ele mantém o campo fragmentado e reduz a chance de Moro vencer já no primeiro turno. Se ele aceitar ser vice de Sandro Alex, mesmo negando isso hoje, o efeito é diferente: parte desse eleitorado que hoje está com ele pode não migrar automaticamente para Alex, porque, como mostram os números, uma fatia dele é de esquerda não lulista e não necessariamente vai seguir Greca para uma chapa mais à direita.”
Ela destaca ainda que, pelos números, o ex-prefeito de Curitiba não chega a ser uma ameaça a Sergio Moro em um eventual segundo turno. “No segundo turno, Greca aparece como o nome mais competitivo contra Requião Filho, tecnicamente empatado, e vence Sandro Alex com folga. Contra Moro, perde por margem grande. Isso reforça que seu capital eleitoral pesa mais no jogo de fragmentação do primeiro turno do que como ameaça direta a Moro num eventual segundo turno. Vale reforçar que o volume de indecisos ainda é grande, então essas distâncias podem se estreitar ou se abrir bastante até outubro.”
Mário Sergio Lepre lembra que Greca transfere mais votos para Requião Filho, o que não é suficiente para o candidato do PDT ter uma posição confortável na disputa. “Parece que os votos dele estão migrando para o Requião Filho, mas ainda é cedo para visualizar. Eu diria que o Requião Filho não tem muita margem, porque está muito vinculada à esquerda.”
SENADO
O ex-governador e ex-senador Alvaro Dias (MDB) lidera dois dos três cenários de disputa para o Senado. Alexandre Curi (Republicanos), Deltan Dallagnol (Novo), Gleisi Hoffmann (PT), Filipe Barros (PL) e Cristina Graeml (PSD) aparecem empatados tecnicamente – Dr Rosinha (PT) também chega ao grupo de empatados em uma das simulações. No cenário sem Alvaro Dias (que ainda não definiu se vai concorrer), os cinco primeiros seguem em empate técnico (a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos).
“É difícil avaliar com precisão porque são duas vagas, o volume de indecisos e de eleitores que podem mudar de voto é grande, e há muitos candidatos competitivos embolados na segunda posição”, afirma Karolina Roeder. “Alvaro Dias lidera com folga em todos os cenários, mas provavelmente porque tem maior conhecimento e menor rejeição proporcional, mas ainda não confirmou candidatura, o que deixa uma incógnita grande sobre como esses votos se redistribuiriam se ele não concorrer.”
Ela lembra o que o ex-governador Roberto Requião liderava as pesquisas em 2018 – acabaram eleitos Oriovisto Guimarães (hoje no PSDB) e Flávio Arns (hoje no PSB). “Não foi a pesquisa que errou, é que o eleitor ainda não havia decidido, deixou para decidir muito próximo ou no dia da eleição. Então, é preciso olhar as pesquisas com parcimônia, não dá para tirarmos dos dados mais do que eles podem nos mostrar. É um reflexo da realidade hoje e não uma previsão.”
Mario Sergio Lepre também diz avaliar que a pesquisa de intenção de votos para o Senado é mais difícil de avaliar. “O eleitor ainda não tem noção. Votos para deputados e senadores hoje são muito difíceis, porque o eleitor ainda não entrou na campanha. Tanto é que você percebe a espontânea muito baixa, tem 80% que não sabem (em quem votar). O nome do Alvaro Dias que aparece porque é o recall. O eleitor tem ele como senador. Não há consolidação”, diz o cientista político. “E tem as rejeições também, às vezes tem nomes que estão na frente e a rejeição é alta também. Para senador, é preciso ter um nome com potencial de crescimento.”



José Marcos Lopes
Repórter colaborador baseado em Curitiba, com foco em política estadual.





