Curitiba - O juiz federal Sergio Moro determinou ontem a soltura de três executivos da empresa catarinense Arxo, presos temporariamente na nona fase da Operação Lava Jato. Gilson Pereira e Sérgio Marçaneiro estavam presos desde quinta-feira, e João Gualberto Pereira Neto, desde sexta. Eles eram executivos da Arxo, que fabrica tanques de combustível e é fornecedora da BR Distribuidora. O grupo é suspeito de pagar propina para vencer licitações de obras da estatal. A empresa nega e diz que a investigação é movida por "vingança" de uma ex-funcionária, que denunciou os fatos. A defesa dos executivos também afirma que os contratos da BR foram obtidos por meio de pregão eletrônico. As prisões dos três empresários venciam nesta segunda e terça.
Para o juiz Moro, como todos eles prestaram depoimento e as buscas e apreensões foram cumpridas na sede da empresa, "não há mais necessidade da prisão". O magistrado determinou, porém, que eles sejam proibidos de deixar o país ou mudar de endereço sem comunicarem a Justiça, além de manter contato ou intimidar a ex-funcionária que os denunciou. Na semana passada, agentes da PF localizaram quase R$ 3 milhões na sede da Arxo, investigada na Operação Lato Jato sob suspeita de pagar propina para obter informações privilegiadas e contratos com a Petrobras. A empresa produz tanques para armazenamento de combustíveis para a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras que passou a ser investigada pela nova fase da Operação Lava Jato. Com a soltura de seus executivos, só permanece preso desta nova fase da operação o empresário Mario Frederico Mendonça Goes, acusado de ser o operador dos pagamentos de propina à BR. Ele se entregou à Polícia Federal no domingo. Sua defesa nega as acusações. "Ele não fez nada disso. Trabalhava como consultor de algumas empresas, sim, mas de forma alguma como operador", afirmou a advogada Lívia Novak, que defende Goes.
Segundo o Ministério Público, Goes operava em favor de diversas empresas na Petrobras, intermediando o pagamento de propinas em espécie. O dinheiro, segundo a Procuradoria, era entregue em mochilas a Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras e que confessou participação no esquema. A defensora de Goes nega.

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