Em nota, Sérgio Moro contestou as acusações sobre negociações paralelas com a Lava Jato
Em nota, Sérgio Moro contestou as acusações sobre negociações paralelas com a Lava Jato | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


São Paulo - O juiz Sergio Moro divulgou nota na manhã deste domingo (27) contestando as acusações de Rodrigo Tacla Duran, ex-advogado da Odebrecht, de que o advogado trabalhista Carlos Zucolotto Junior, amigo do magistrado, intermediou negociações paralelas dele com a força-tarefa da Operação Lava Jato. Segundo Duran, Zucolotto - que é padrinho de casamento do juiz - propôs facilidade a ele em um acordo de delação premiada.

"O relato de que o advogado em questão teria tratado com o acusado foragido Rodrigo Tacla Duran sobre acordo de colaboração premiada é absolutamente falso", afirma Moro na nota. Segundo ele, "nenhum dos membros do Ministério Público Federal da força-tarefa em Curitiba confirmou qualquer contato do referido advogado sobre o referido assunto ou sobre qualquer outro porque de fato não ocorreu qualquer contato".

"O advogado Carlos Zucolotto Jr. é meu amigo pessoal e lamento que o seu nome seja utilizado por um acusado foragido e em uma matéria jornalística irresponsável para denegrir-me", diz também o juiz responsável pela Lava Jato em Curitiba. A reportagem sobre a acusação foi publicada na Folha de S. Paulo.

Duran foi acusado de lavagem de dinheiro e de formação de organização criminosa pelo Ministério Público Federal. Ele tentou fazer delação premiada, mas as negociações fracassaram. O advogado teve a prisão decretada por Moro e chegou a ser detido na Espanha, mas foi libertado. O Brasil pediu a sua extradição, mas o país europeu negou, já que Duran tem dupla cidadania.

O juiz já havia se manifestado antes da publicação da reportagem, desqualificando a alegação de Duran. Zucolotto negou ter elo com a Lava Jato. "Não tem o mínimo de verdade nisso. Não existe", disse.

LAVA JATO

A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba disse, por meio de assessoria de imprensa, que "repudia" as declarações de Rodrigo Tacla Duran, que advogou para a Odebrecht de 2011 a 2016 e acusou o advogado trabalhista Carlos Zucolotto Junior de intermediar negociações paralelas com a equipe da operação. O intuito seria abrandar a pena e diminuir a multa de Duran, investigado na operação.

Segundo a força-tarefa, "Duran tenta desesperadamente atacar aqueles que o investigam, processam e julgam, no intuito de afastar o seu caso das autoridades que atuam na Lava Jato".

A trupe reforça argumentos já publicados neste domingo (27) em reportagem da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. De acordo com a nota, o texto "reproduz, sem qualquer constatação de veracidade pela colunista, trechos de um 'livro' fantasioso escrito por Rodrigo Tacla Duran, réu foragido da justiça brasileira".

As informações e a transcrição de suposta correspondência que comprometeriam Zucolotto estão em um livro que Duran está escrevendo e que pretende lançar até outubro. A Folha de S. Paulo teve acesso à íntegra do texto, que foi publicado e depois retirado da internet.

Diz a nota: Moro "não participou de qualquer fase das negociações do acordo de colaboração premiada", e "nenhum dos membros da força-tarefa possui ou já possuiu relacionamento pessoal ou profissional com o advogado Carlos Zucolotto Jr".

Criminalista defende investigação

São Paulo - O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, defendeu neste domingo (27) que seja investigada a acusação de que um advogado amigo do juiz Sergio Moro intermediou negociações paralelas com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

"Eles [força-tarefa] abririam uma investigação se fossem acusações relacionadas a qualquer outra pessoa. Precisam ser coerentes", diz Kakay, que defende na operação clientes como os senadores peemedebistas Romero Jucá e Edison Lobão.

"Sou um crítico dos excessos da Lava Jato desde o início. Os abusos podem começar a bater também em quem os comete. O veneno pode se voltar contra aqueles que cometem os excessos", diz o criminalista.

Em nota publicada em uma rede social, Kakay diz que deve se "dar ao Moro e aos procuradores a presunção de inocência, o que este juiz e estes procuradores não fariam". "Estão vendo", segue ele, "o que acontece ao longo de três anos de espetacularização do direito penal".

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