Moro defende permanência do Coaf no Ministério da Justiça
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sexta-feira, 26 de abril de 2019
Folhapress 
São Paulo - Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o melhor lugar para o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão de inteligência financeira que investiga operações suspeitas, é dentro de sua pasta. A fala de Moro a jornalistas, nessa sexta-feira (26), em Belo Horizonte, foi uma resposta a um comentário feito pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) em um café com a imprensa na quinta (25). O presidente disse que não se opõe a devolver o conselho ao ministério da Economia, de Paulo Guedes.
Moro afirmou que a decisão pertence ao Congresso, referindo-se à medida provisória que tramita no Senado com a proposta. "Igualmente, eu também sou aberto a qualquer decisão que seja tomada no Congresso. O que não me impede de buscar convencer os parlamentares que o melhor lugar do Coaf é atualmente onde ele se encontra", disse ele.
O ministro chamou de "lenda urbana" a história de que ter o Coaf em suas mãos teria sido uma das condições para aceitar o ministério.
O ex-juiz afirmou que não há como combater organizações criminosas hoje no país sem foco em lavagem de dinheiro e sem retirar dos criminosos os recursos que ajudam a manter as operações ilegais.
LULA
Ao ser perguntado sobre a redução da pena do ex-presidente Lula (PT) pelo STJ (Superior Tribuna, de Justiça), Moro disse que o petista pertence ao seu passado.
Atuando como juiz federal em Curitiba, Moro condenou Lula a 9 anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo caso do tríplex de Guarujá (SP). O TRF-4 manteve a condenação, em janeiro de 2018, e aumentou a pena para 12 anos e um mês.
A decisão da corte superior tomada na terça-feira (23), porém, reduziu a pena de Lula para 8 anos e 10 meses, abrindo a possibilidade de que ele possa deixar a cadeia ainda este ano.
"Eu estabeleci uma pena, o tribunal estabeleceu outra, o STJ estabeleceu outra. Se reunir dez juízes em uma sala, cada um vai ter uma pena diferente. Isso acontece em vários casos, não só do ex-presidente. Não me cabe opinar sobre o processo envolvendo o ex-presidente", disse ele.


