Curitiba - Em despacho deferindo a prisão dos envolvidos na 14ª fase da Lava Jato, o juiz federal Sérgio Moro criticou abertamente o posicionamento adotado pelas duas empreiteiras por não terem tomado nenhuma providência para inibir a corrupção.
"Rigorosamente, a assim denominada Operação Lava Jato deveria servir para as empreiteiras envolvidas como um ‘momento de clareza’, levando-as a renunciar ao emprego de crimes para impulsionar os seus negócios. Mas a já aludida falta de tomada de qualquer providência por parte da Odebrecht e da Andrade Gutierrez em apurar os fatos internamente, reconhecer, eventualmente, sua falta e expulsar os executivos desviados, é outro indicativo do risco de reiteração das práticas corruptas, colocando as empresas acima da lei", ressaltou o magistrado.
Moro ainda reforçou em seu despacho que, considerando a duração do esquema criminoso, pelo menos desde 2004, a dimensão bilionária dos contratos obtidos com os crimes junto à Petrobras e o valor milionário das propinas pagas aos dirigentes da estatal, "parece inviável que ele fosse desconhecido dos presidentes das duas empreiteiras, Marcelo Bahia Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo". (R.C.J.)

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