Curitiba – O juiz federal Sérgio Moro criticou as atitudes tomadas pela empreiteira Odebrecht, que divulgou no início da semana um comunicado em diversos jornais do País questionando as investigações desenvolvidas na Operação Lava Jato e as prisões de seus executivos, incluindo o presidente Marcelo Bahia Odebrecht. O anúncio da empresa também questionava provas levantadas pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), de que a empresa participou do esquema de cartel, fraudes em licitações e corrupção na Petrobras.
No despacho, publicado na noite de quarta-feira, em que decidiu pela conversão da prisão temporária do ex-diretor da construtora Alexandrino Salles Alencar em preventiva, o magistrado aproveitou para rebater as informações divulgadas pela Odebrecht. "A Odebrecht, servindo-se de seus vastos recursos financeiros, fez publicar, em 22/06/2015, comunicado em vários dos principais jornais do País, defendendo seu procedimento e atacando este juízo e as instituições responsáveis pela investigação e persecução", lembrou o juiz.
Moro destaca ainda que o referido comunicado foi "inusitado" e argumentou que o conteúdo da publicação não apresenta os fatos da investigação por inteiro. "Relativamente ao conteúdo do inusitado comunicado, é certo que a empresa tem o direito de se defender, mas fazendo-o seria recomendável que apresentasse os fatos por inteiro e não da maneira parcial efetuada, em aparente tentativa de confundir, valendo-se de seus amplos recursos financeiros, a opinião pública e colocá-la contra a ação das instituições públicas, inclusive da Justiça."
O magistrado ressalta também que tal comunicado "apenas reforça a convicção deste juízo acerca da necessidade, infelizmente, da prisão preventiva, pois a Odebrecht, com todos os seus amplos e bilionários recursos e com equivalente responsabilidade política e social, não tem qualquer intenção de reconhecer a sua responsabilidade pelos fatos, o que seria um passo necessário para afastar o risco de reiteração das práticas criminosas".
Ele destaca que não se trata de exigir a admissão dos fatos por parte da empreiteira, entretanto, de que é necessário reconhecer que, com as provas apresentadas, há risco de reiteração delitiva, por isso se justifica a prisão preventiva dos executivos da empresa. Ao longo de seu despacho, Moro relembra as diversas provas elencadas pelos investigadores, apontando a participação da empreiteira no esquema criminoso de cartel, ajuste de licitações e de corrupção.
Moro aponta que além dos valores milionários sequestrados em contas na Suíça, com aproximadamente R$ 175 milhões já devolvidos à Petrobras, os colaboradores Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal; e Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços; apresentaram vasta documentação destas contas, que confirmam o recebimento por eles dos valores sem causa. Os documentos ainda indicam que o procurador das contas Sygnus e Quinnus, de Costa; e Canyon e Ibiko, de Barusco; era Bernardo Freiburghaus, o que corrobora com as declarações dos delatores, de que era ele que operava o pagamento de propina da Odebrecht.
"Embora, no comunicado, negue a Odebrecht qualquer relação com esses depósitos ou com as contas na Suíça, os colaboradores, pelo menos três deles, relacionaram, em depoimentos independentes, a empreiteira a eles, além de haver elementos circunstanciais, apontados pela autoridade policial, relacionando-a a eles", completou o magistrado.

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