Curitiba - O juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, autorizou, em despacho publicado ontem, a transferência de 12 dos 17 presos da Operação Lava Jato que estão na carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF) na Capital para o Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A decisão atende ao pedido protocolado na última sexta-feira, em que o superintendente regional da PF no Paraná, Rosalvo Ferreira Franco, afirma que "já está ficando inviável ficarmos com todos os presos na custódia, tendo em vista que alguns presos não podem se comunicar entre si".
Foi autorizada a remoção de Adir Assad (lobista apontado como um dos operadores do esquema de corrupção); Agenor Franklin Magalhães Medeiros (diretor-presidente da Área Internacional da OAS); Erton Medeiros Fonseca (diretor de negócios da Galvão Engenharia); Fernando Antônio Falcão Soares (lobista apontado como um dos operadores do esquema); Gerson de Mello Almada (vice-presidente da Engevix); João Ricardo Auler (presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa); José Aldemário Pinheiro Filho (presidente da OAS); José Ricardo Nogueira Breguirolli (funcionário da OAS e contato de Youssef na empreiteira); Mário Frederico Mendonça Góes (um dos operadores no pagamento de propina); Mateus Coutinho de Sá Oliveira (funcionário da OAS e contato de Youssef na empreiteira); Renato de Souza Duque (ex-diretor de Serviços da Petrobras) e Sérgio Cunha Mendes (vice-presidente executivo da Mendes Jr.). Eles vão deixar a sede da PF na manhã de hoje, sob escolta de agentes federais.
O ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró teve o pedido de transferência indeferido, segundo o juiz, "já que estaria recebendo assistência psicológica na carceragem da PF". E, ainda de acordo com Moro, também foi indeferido o pedido referente a Ricardo Ribeiro Pessoa (presidente da UTC e apontado como o líder do cartel de empreiteiras), "este por solicitação do MPF". Além destes dois, seguem na PF o doleiro Alberto Youssef, Dalton dos Santos Avancini e Eduardo Hermelino Leite, da Camargo Corrêa, que também celebraram acordo com o MPF e já terminaram seus depoimentos. Os executivos agora aguardam a homologação de seus acordos para cumprirem prisão domiciliar.
A doleira Nelma Kodama e Iara Galdino da Silva também estão na carceragem da PF há 15 dias. Elas já foram condenadas e devem retornar à Penitenciária Feminina de Piraquara (PFP) para cumprirem suas penas após prestarem esclarecimentos sobre alguns inquéritos ainda em andamento.
O advogado de Sérgio Cunha Mendes, Marcelo Leonardo, havia solicitado a transferência dele para o Complexo da Papuda, em Brasília, mas o magistrado negou o pedido, justificando que "a medida é inviável no curso da instrução da ação penal, quando a presença dele (Mendes) em Curitiba ainda se mostra necessária".
Em sua decisão, Moro esclarece que "de fato, a carceragem da Polícia Federal, apesar de suas relativas boas condições, não comporta, por seu espaço reduzido, a manutenção de número significativo de presos. Por outro lado, o local apresentado a este Juízo para acomodar os presos no sistema prisional estadual parece adequado, talvez até com melhores condições do que as da carceragem. Ficarão ainda separados da maior parte da população carcerária".

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