Moro aponta 'quadro de corrupção sistêmica'
Curitiba No despacho em que deferiu os pedidos de prisões da 16ª fase da Lava Jato, o juiz federal Sérgio Moro destacou que o esquema criminoso revelado até o momento dentro da Eletronuclear, foi revelado em detalhes pelos depoimentos de colaboradores e que apontam para um "quadro de corrupção sistêmica" em diversos setores de contratações com o poder público.
Iniciada em 2009, Angra 3 deveria ter entrado em operação este ano, mas a usina, a terceira planta de geração nuclear do País, está prevista para começar a produzir energia apenas em maio de 2018. O custo da obra mais que dobrou em seis anos: prevista inicialmente para custar R$ 7 bilhões, a obra é orçada atualmente em R$ 15 bilhões.
Conforme Moro, o esquema criminoso vai além da Petrobras. Citando trechos da colaboração realizada pelo ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini, além de provas documentais já apresentadas, ele ressalta que o executivo inclusive apontou irregularidades em contratos fechados entre a Andrade Gutierrez e Odebrecht para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.
"Há, portanto, vários elementos probatórios que apontam para um quadro de corrupção sistêmica, nos quais ajustes fraudulentos para obtenção de contratos públicos e o pagamento de propinas a agentes públicos, bem como o recebimento delas por estes, passaram a ser pagas como rotina e encaradas pelos participantes como a regra do jogo, algo natural e não anormal", destacou o magistrado.
O problema verificado em outras contratações com o governo federal também é ressaltado pelo delegado Igor Romário de Paula. Segundo ele, ainda há muito caminho pela frente a ser percorrido dentro da Lava Jato. "Tem muita coisa a ser feita no que diz respeito à Petrobras. Os contratos de publicidade, por exemplo, são uma área a ser explorada. É uma imensidão de informações a serem apuradas ao mesmo tempo, então a gente é obrigado a estabelecer prioridades. Infelizmente, tudo indica que nós vamos partir para outros setores, porque o setor de energia, por si só, já é gigantesco", disse. (R.C.J.)





