Moro acata denúncia e executivos se tornam réus
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sábado, 13 de dezembro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba - O juiz federal Sérgio Moro acatou ontem a primeira denúncia relacionada à sétima fase da Operação Lava Jato, que investiga o megaesquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos da Petrobras para pagamento de propina, além da formação de cartel por parte de empreiteiras. Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, e o doleiro Alberto Youssef se tornaram réus no processo, assim como quatro executivos da empreiteira Engevix. São eles o vice-presidente da empreiteira, Gerson de Mello Almada; Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor técnico; Newton Prado Junior, diretor técnico; e Luiz Roberto Pereira, funcionário da Engevix.
Waldomiro de Oliveira (proprietário formal da MO Consultoria, controlada por Youssef); Carlos Alberto Pereira da Costa (procurador da GFD Investimentos, também empresa do doleiro); e Enivaldo Quadrado (que atuava na área financeira da GFD Investimentos) também se tornaram réus. Dos nove denunciados, três seguem presos: Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar em sua casa, no Rio de Janeiro; e Alberto Youssef e Gerson Almada, ambos detidos na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba. Youssef atualmente está internado no hospital Santa Cruz para realização exames cardiológicos.
Em seu despacho, Moro aponta que, além dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção denunciados pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), há indícios de crimes de formação de cartel, frustração à licitação, evasão fraudulenta de divisas, uso de documento falso e sonegação de tributos federais.
O esquema envolvendo a Engevix, conforme destaca o MPF, teria desviado de obras da Petrobras, a quantia de R$ 158,9 milhões. Deste total, R$ 52,9 milhões só de investimentos ligados à diretoria de Abastecimento, que era comandada por Paulo Roberto Costa. Ainda conforme a denúncia dos procuradores, Gerson Almada teria emitido documentos falsos para justificar o pagamento de R$ 13,4 milhões a empresas de fachada comandadas por Youssef.
"Os valores provenientes dos crimes de cartel, frustração à licitação e corrupção teriam sido, em parte, lavados através de depósitos em contas de empresas controladas por Alberto Youssef e da simulação de contratos de prestação de serviços", ressaltou o magistrado em sua decisão. Outros 27 denunciados pelo MPF, incluindo outros grandes executivos, devem se tornar réus nos próximos dias. A expectativa é de que isso ocorra antes do recesso Judiciário, no dia 19.
Costa e Youssef são réus em outras ações penais da Lava Jato que já tramitam na Justiça Federal do Paraná, e firmaram acordo de delação premiada, entretanto, mesmo com a colaboração dos dois, nada impede que eles possam se tornar réus em outros processos. "Relativamente aos criminosos colaboradores,oportuno destacar que essa condição não impede a denúncia ora formulada e que, de todo modo, no caso de eventual condenação serão concedidos a eles os benefícios acordados com o MPF segundo a efetividade da colaboração", explicou Moro.
Em seu despacho, Sérgio Moro ainda marcou para o dia 3 de fevereiro de 2015 a primeira audiência de instrução para ouvir as testemunhas de acusação neste processo. Entre as testemunhas indicadas pelo MPF estão Meire Poza, ex-contadora de Youssef; o operador das contas do doleiro no exterior, João Procópio de Almeida Prado; Leonardo Meirelles, um dos proprietários da Labogen; e os executivos da empresa Toyo Setal,que fecharam acordo de delação premiada com o órgão, Augusto Ribeiro de Mendonça Filho e Júlio Camargo.
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